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20/11/2011
“Ganhe um bebê!

Primeiro foi um concurso organizado pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) que oferecia uma vasectomia gratuita e uma premiação em dinheiro ao homem que castrasse seu gato ou cachorro... A alegação da ONG era a de que a melhor forma de combater a super população animal do planeta é ter o seu cão ou gato castrado. E o mesmo princípio poderia ser estendido aos seres humanos, que estão super povoando o planeta.

Duramente criticada por entidades e grupos de infertilidade e sob a acusação de "banalização da infertilidade", a PETA enfrentou a fúria das redes sociais: blogs, petições on-line, telefonemas e e-mails fizeram a diferença. E a entidade voltou atrás e retirou a ação promocional do ar.

Mais recentemente, uma emissora de rádio de Ottawa, no Canadá, lançou uma promoção na qual ofereceria um tratamento de fertilidade no valor de US$ 35 mil (mais de R$ 61 mil) para o casal vencedor. Os concorrentes precisariam “convencer” os ouvintes e um painel de juízes que mereciam o prêmio. Tudo em apenas cem palavras. Cartazes da promoção foram espalhados pela cidade de Ottawa mostrando imagens de bebês com frases como "Ela pode ser sua!" ou então "Você é minha mamãe?".

Mais uma vez, os ativistas criticaram a prática e classificaram a competição como uma ação de marketing de muito mau gosto. “E como ficariam os que não fossem agraciados com a premiação? Mais tristes? Mais infelizes?”... Desta vez, os apelos, as críticas e toda a mobilização via web não foram capazes de colocar um ponto final na estranha promoção.

Abordagem da infertilidade

“A infertilidade é realmente um problema social de relevância nos dias de hoje. Os exemplos acima, por mais equivocados que estejam, são reflexos da falta de informação que ronda o tema. A infertilidade não é uma escolha, uma condição voluntária ou muito menos um capricho”, defende o ginecologista Joji Ueno, diretor da Clínica GERA.

É muito importante compreender que infertilidade é uma doença que resulta no funcionamento anormal do sistema reprodutivo masculino ou feminino. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) reconhecem a infertilidade como uma doença, definida como a incapacidade de conceber após um ano de relações sexuais não protegidas (seis meses se a mulher é acima de 35 anos) ou a incapacidade de levar uma gravidez até o nascimento.

Segundo Joji Ueno, a infertilidade é um problema importante para 1 em cada 8 casais. Para estas pessoas, a experiência da infertilidade envolve muitas perdas ocultas. Perdas que afetam o casal, seus entes queridos e a sociedade como um todo, incluindo:

· Perda da gravidez e da experiência do nascimento;

· Perda de um legado genético;

· Perda de futuros cidadãos que poderiam contribuir para a próxima geração;

· Perda da experiência da parentalidade;

· Perda de um relacionamento com os avós;

· Sentimentos de baixa autoestima;

· Perda de estabilidade na família e nas relações pessoais;

· Perda de produtividade no trabalho;

· Perda de um sentido de espiritualidade;

· Sentimento de falta de esperança no futuro.

Como a infertilidade envolve frequentemente grandes questões da vida pessoal, muitas vezes, a doença é percebida apenas como um assunto privado e não é normalmente discutida em fóruns públicos. “É esta natureza pessoal da infertilidade que contribui para o fracasso da divulgação de informações apropriadas para o público, para a classe política, para os profissionais de saúde e até mesmo para os meios de comunicação, que não tratam a infertilidade como uma doença. É esta natureza pessoal que gera abordagens completamente inadequadas como os exemplos que mencionamos anteriormente”, diz o médico, que também é Doutor em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da USP.

Tentativas brasileiras de abordar o tema

No Brasil, felizmente não contamos com campanhas e promoções como a da PETA ou da rádio canadense para “despertar a atenção do público sobre o tema”. Dispomos de outros meios importantes que podem nos ajudar a fazer uma melhor abordagem da infertilidade para o público: as telenovelas e a Internet.

“Desde "Barriga de Aluguel", temos a presença nas telas de temas relativos ao universo dos casais inférteis em evidência. Já vimos personagens que desejavam adotar filhos, já vimos mulheres com endometriose que engravidaram, já vimos filhos em busca dos pais biológicos, já vimos exemplos de ‘novas famílias’, já vimos ‘O Clone’ e atualmente acompanhamos, em ‘Fina Estampa’, o drama de um casal onde o marido rejeita as alternativas terapêuticas oferecidas pela Medicina Reprodutiva. Mesmo que os personagens exagerem no tom ou que o texto do autor não seja o mais correto cientificamente sobre o tema: estamos colocando o assunto em pauta”, defende Joji Ueno.

O médico lembra também que outro importante fórum amplamente utilizado no Brasil para debater a infertilidade é a Internet. Redes sociais, blogs e fóruns de discussão reúnem os casais inférteis, ao mesmo tempo em que disseminam informações por meio de relatos pessoais. Estes espaços também “apoiam e acolhem” os participantes. “Mesmo diante do paradoxo de ‘reserva na vida pessoal’ e de ‘abertura total na Web’, a Internet é concebida como uma instância de produção e articulação de sentidos que rompe com o modelo emissor-receptor de comunicação. A difusão de discursos sobre reprodução humana na Internet certamente auxilia a sociedade a compreender melhor o tema”, afirma o diretor da Clínica GERA.

Serviço
atendimento@clinicagera.com.br

Veja mais sobre o assunto em nossa coluna de Prof. Dr. Mauricio Simões Abrão, em Saúde Feminina





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