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11/12/2011
Cirurgia de estômago para emagrecer nem sempre é ideal

A equivocada idéia de que a operação para redução de estômago pode ser um método mágico para o emagrecimento rápido tem levado muitas mulheres a procurar especialistas no assunto, o que preocupa a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Geralmente as mulheres encaram o procedimento como uma solução mágica para ter corpo de modelo, o que é um erro!

A técnica oferece menor tempo no pós-operatório, menos dor para o paciente e alta hospitalar precoce.

A obesidade é um problema que tem afetado milhões de pessoas no mundo e cuja incidência também aumenta no Brasil. Estudos são realizados em diferentes países para entender os mecanismos que levam ao excesso de peso, assim como existem pesquisas para medicamentos. Sabe-se que um programa de atividade física personalizada, reeducação alimentar e, se necessários, remédios ajudam. Porém, quando a obesidade atinge um grau severo, levando ao desenvolvimento de doenças metabólicas e outros problemas clínicos, porque o paciente não responde a nenhum dos métodos, o procedimento cirúrgico passar a ser o mais indicado.

Quando o caso requer este tipo de intervenção, para oferecer ao paciente maior conforto no pós-operatório, a técnica cirúrgica mais indicada na realização da cirurgia bariátrica é por Videolaparoscopia. “A operação de redução do estômago por meio de Videolaparoscopia é um procedimento feito com a ajuda de uma microcâmera, que torna o procedimento menos invasivo, uma vez que são feitas pequenas incisões no abdome. Com esta técnica, as complicações com a própria ferida cirúrgica são menores, o tempo de internação e de recuperação também é menor. A tendência mundial na área de cirurgia bariátrica é a de oferecer mais qualidade de vida ao paciente”, relata Dr. Luiz Vicente Berti, cirurgião do aparelho digestivo e diretor do Centro de Cirurgia Obesidade e Metabólica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e da International Federation for Study of Obesity (IFSO).

No Brasil, a vídeolaparoscopia ainda não era uma técnica acessível a todos os pacientes que necessitassem desse tipo de procedimento – mas a situação deverá mudar já em janeiro de 2012, pois os convênios de saúde deverão incluir essa cirurgia no rol de procedimentos e eventos em saúde, de acordo com decisão da Agência Nacional de Saúde e do Conselho Federal de Medicina. “A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) criou uma campanha com o tema “Obesidade sem marcas” e consideramos o impacto dessa ação muito positivo, pois contribuímos para o debate e a mudança das regras”, comemora Dr. Berti. “A Videolaparoscopia é um método menos invasivo que representa uma economia aos planos a médio prazo, devido à redução dos dias de internação e da menor incidência de complicações. Devemos valorizar o bem-estar do paciente”, completa o médico.


A cirurgia

Minimamente invasiva e aplicável em todas as técnicas cirúrgicas, a Videolaparoscopia representa uma importante evolução tecnológica da medicina. Nela, são feitas de quatro a sete mini-incisões de 0,5 a 1,2 centímetros cada uma, por onde passam as cânulas e a câmera de vídeo. “Das quase 60 mil cirurgias bariátricas realizadas em 2010 no Brasil, 35% foram feitas via Videolaparoscopia. A taxa de mortalidade média é de apenas 0,23% – abaixo do índice de 1% estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) –, contra 0,8% a 1% da cirurgia aberta (laparotomia)” revela Dr. Luiz Vicente Berti.


Custo x benefícios
A Videolaparoscopia, por ser uma cirurgia minimamente invasiva, oferece inúmeros benefícios sobre a cirurgia convencional. Para os especialistas, as vantagens oferecidas pela técnica são várias. Dentre eles destacam-se:
• Menor dor no pós-operatório;
• Menor tempo de internação;
• Melhor resultado estético, com cicatrizes menores;
• Retorno mais rápido às atividades rotineiras;
• Menor índice de infecção;

De acordo com o Dr. Luiz Vicente Berti, a cirurgia bariátrica por Videolaparoscopia dura, em média, entre 40 minutos e 1 hora e 30 minutos. E nela é realizado de quatro a sete pequenas incisões de 0,5 a 1,2 centímetros. Já no pós-operatório, os benefícios são ainda maiores, pois ocorre uma dor mínima por um dia ou ela é quase inexistente (característica mensurada pela quantidade de analgésicos consumidos pelo paciente), alta hospitalar precoce e retorno mais rápido às atividades laborais, por volta de 7 a 10 dias, enquanto que na cirurgia aberta, o paciente fica, no mínimo, três dias internado e leva de 30 a 50 dias para voltar à rotina normal. Outro ponto observado é que a Videolaparoscopia ainda apresenta menor risco de infecções, além de resultar em pequenas cicatrizes.

Na avaliação do Dr. Luiz Vicente Berti não existem contraindicações extremas para a não-realização de cirurgias videolaparoscópicas. “Em alguns casos, encontramos contraindicações relacionadas ao paciente ou ao seu estado de saúde, como pacientes com doenças cardíacas ou pulmonares graves e cirurgias abdominais prévias extensas. Mas, a maior parte dos pacientes são elegíveis a esse tipo de procedimento menos invasivo. Quanto ao custo o que deve ser avaliado é o benefício que a técnica oferece, uma vez que o paciente recebe alta hospitalar em menos de 36 horas”, finaliza.


Observe a tabela a seguir:

FÓRMULA: IMC = PESO / (ALTURA x ALTURA) (de acordo com a OMS, 1999)

Magreza grau 3
Magreza grau 2
Magreza grau 1
Eutrofia (normal)
Pré obeso ou sobrepeso
Obeso Classe I
Obeso Classe II
Obeso Classe III


Faça seu cálculo de IMC aqui

O objetivo da cirurgia de redução de estômago, é a melhora da qualidade de vida e condições de saúde do doente, não a aparência, solução de problemas emocionais, elevação de autoimagem ou até salvação de casamento.

Se os objetivos da operação são distorcidos, corre-se o risco de sofrer uma grande decepção com os resultados e até mesmo de sofrer com complicações, como abertura das emendas feitas no estômago ou embolia pulmonar. Afinal, como qualquer procedimento de incisão médica, risco de morte nunca é descartado.


BALÃO INTRAGÁSTRICO:

Apesar de todos os revéses, a moda de reduzir o tamanho do estômago não é o único fator preocupante, há o balão intragástrico. Algo semelhante a uma bexiga de 500 mililitros de silicone é inserida no interior do estômago por um processo de endoscopia. A bola ocupa um dado espaço no órgão proporcionando uma constante sensação de fome saciada. Por isso, o paciente passa a ingerir menos alimentos e chega a perder até 15% do peso.

Por ser um dispositivo provisório, que fica no organismo por no máximo seis meses, o balão precisa ser retirado para evitar lesões no estômago. A idéia é produzir uma reeducação alimentar e, quando o aparelho não estiver mais no estômago, o indivíduo conseguir manter a forma. Aqui vale lembrar que é imprescindivel que o paciente mude hábitos para que não se recupere o peso anterior ao tratamento. Reeducação alimentar, exercícios e qualidade de vida devem ser incorporados à vida e não apenas no período do tratamento.

Há também o risco de o balão murchar podendo ir parar no intestino, provocando um entupimento. Nessa situação, uma operação se faz urgente. Este é um método útil como preparação para uma cirurgia de estômago, não um tratamento para pessoas perderem alguns quilinhos sem esforço.

Já se tem a aprovação da Anvisa, na indicação para pacientes com IMC à partir de 27, com o balão Orbera. O objetivo é prevenir a obesidade em quem se encontra na faixa do sobrepeso.

O que é o Sistema Orbera™?

O Orbera™ é um dispositivo de silicone e preenchido com soro e azul de metileno na proporção de 400 a 700 ml, dependendo do tamanho do estômago do paciente.

Sua colocação é por meio de endoscopia (mesmo procedimento utilizado em exames para a detecção de problemas de estômago como úlcera e gastrite), ou seja, não há cortes. Trata-se de uma alternativa não-cirúrgica para o tratamento da obesidade e um dispositivo seguro e eficaz para a redução de peso.


Para quem é indicado o Orbera™?

A indicação de qualquer tratamento de saúde só pode ser realizada por um médico.
Existem dois requisitos principais que o Orbera™ atende:

• Pacientes com IMC a partir de 27 kg/m² (calcule seu IMC acima).

• Ou pacientes em quadros graves de obesidade que precisam emagrecer para alcançar condições clínicas para submeter-se à cirurgia.



O que os médicos e as equipes multidisciplinares tentam é conscientizar a população de que obesidade é uma doença e a operação é um tratamento específico para esta patologia. Para aqueles que buscam perder alguns quilos a fim de aprimorar a silhueta, a opção é mudança nos hábitos alimentares e prática de exercícios físicos. Não tem como fugir do suor e canseira. Essa é também a tarefa dos obesos mórbidos depois de operados.




Veja mais sobre o assunto em nossas colunas de Nutrição com Dra. Rosana Farahh, Por Dentro do Alimento com a Nutricionista Nicole Valente e Pediatria com Dr. Mauro Fisberg





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