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23/12/2011
Especialistas dão dicas de como tratar de algumas das doenças e danos mais comuns que acometem as pessoas durante o verão

Muitas pessoas não se dão conta dos cuidados básicos que devem ser tomados com a saúde no verão. Durante esta estação, de temperatura elevada, práticas devem ser adotadas por todos aqueles que não querem ter problemas na estação mais esperada do ano. Proteger a pele dos raios ultravioletas, usar roupas leves e confortáveis, beber água e hidratar a pele, entre outras recomendações, devem ser seguidas para evitar problemas desagradáveis.

Especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) alertam quanto a algumas das doenças mais comuns que acometem as pessoas em dias quentes, além de problemas decorrentes do desconhecimento de regras básicas de conduta. São elas:

Otite externa

A otite externa é o nome genérico para designar as inflamações ou infecções que acometem as estruturas da orelha externa, ou seja, pavilhão e canal auditivo externo. Estas doenças são causadas, em grande parte pela manipulação inadequada de cotonetes e uma variedade enorme de instrumentos que as pessoas utilizam para coçar ou limpar a cavidade. Isto acaba machucando a pele que reveste estas estruturas causando as inflamações e infecções.

A entrada de água durante os banhos normais e de piscinas também podem levar germes ou apenas deixar o local úmido. Com a mudança do pH no local desenvolvimento das infecções é facilitado. Os sintomas destas inflamações e infecções podem ser os seguintes: presença de dor, que piora com movimentação do pavilhão, “sensação de ouvido cheio”, calor no local e saída de secreção pelo canal auditivo. Eles podem variar de pessoa a pessoa e de acordo com o grau e evolução do quadro, explica o Dr. Ektor Onishi, otorrinolaringologista da Unifesp.

Segundo o Dr. Onishi, o tratamento consiste em limpeza no local, uso de analgésicos e anti-inflamatórios, prescrição de gotas tópicas com antibióticos, quando necessário. Quando a inflamação ou infecção acomete a pele do pavilhão ou a cartilagem, pode ser necessário ministrar antibióticos por via oral.

Os nadadores e usuários de piscinas ou até mesmo praia podem se prevenir evitando a utilização de hastes flexíveis (cotonetes) para limpeza, pois elas acabam retirando a proteção natural do canal auditivo que é a CERA. Esta cera, além de impermeabilizar, protege a pele, pois contém substâncias que impedem o crescimento dos germes. Caso as pessoas limpem a cera do ouvido com instrumentos inadequados, pode ocorrer de que ela seja empurrada para o fundo do canal compactando-a, o que torna a remoção mais difícil. Se houver necessidade, como em casos de otites de repetição em nadadores, o médico pode indicar protetores auriculares para evitar a entrada de água.

Devemos limpar as orelhas somente com uma toalha ou lenço de papel enrolado em um dos dedos. A cera é produzida por glândulas da pele e é empurrada gradativamente para a parte externa até chegar ao pavilhão quando pode ser limpa sem problemas. Pessoas que produzem uma quantidade maior de cera devem procurar o otorrino para fazer a limpeza com os devidos cuidados, nunca tentar fazê-la sozinho.

Candidíase

Não é uma doença sexualmente transmissível, é uma infecção causada por um fungo, a Candida sp, que pode acometer o trato genital de homens e mulheres. Este fungo faz parte da flora vaginal, porém, devido alterações de ph, queda da imunidade e uso de antibióticos, pode proliferar excessivamente, causando irritação e, no verão, pode ser mais frequente, por conta do calor local.

Os principais sintomas são: coceira, ardor local e ao urinar e corrimento esbranquiçado, tipo "nata de leite".

Na consulta ginecológica o médico é capaz de fazer o diagnóstico por meio da história clínica e do exame físico dos pacientes. No entanto, em casos de reincidência ou aumento da frequência da infecção, o médico pode solicitar alguns exames como bacterioscopia e cultura para fungos. Pessoas com diabetes descontrolada ou com alguma doença que comprometa a imunidade estão mais sujeitas a desenvolver a candidíase.

Carolina Ambrogini, ginecologista da Unifesp, explica que a prevenção pode ser feita com o uso de roupas frescas e arejadas, calcinhas de algodão (o tecido permite a transpiração) e evitar o uso de roupas justas. A utilização de sabonete íntimo pode ajudar na manutenção do ph vaginal, porém não há necessidade de utilizá-los diariamente, somente 3x/semana. Nos demais dias, a higiene deve ser feita apenas com água corrente. Já quem é diabético, deve manter o controle glicêmico em taxas mais baixas para a prevenção.

O tratamento consiste em usar antifúngicos por via oral e vaginal, em cremes ou óvulos. Depois do tratamento, é necessário intensificar os cuidados preventivos para evitar a reincidência.

Micoses

Existem algumas micoses que habitam facilmente a pele mediante contato com a areia da praia, piscina, no chão e na área de banho, como a frieira, que é causada por fungos que se instalam na região dos vãos dos dedos, na virilha, região inframamária (abaixo das mamas).

Como sugestão, a Dra. Meire Brasil Parada, dermatologista colaboradora da Unifesp, informa que é preciso ficar atento aos nossos atos no dia a dia, como evitar andar descalços em áreas com possibilidade de contaminação, tomar banho no clube sempre de chinelos, entre outras atitudes.

Os pés precisam de cuidados, portanto, sempre que possível, deixar os pés à vontade, sem meias e sapatos; secar bem entre os dedos com uma toalha, papel ou até mesmo com o uso de um secador de cabelos (ar frio). As áreas suscetíveis devem permanecer secas, na medida do possível. Se a pessoa transpira muito, é recomendável trocar as peças de roupa, como as meias e roupas íntimas; não utilizar o mesmo sapato consecutivamente, principalmente se foi utilizado em dias chuvosos e ficou úmido. Após usar o sapato, deixá-lo ao ar livre para que se arejem.

Para combater os fungos é indicado o uso de talcos antifúngico e a visita a um dermatologista para o tratamento adequado.

Pitiríase versicolor, também conhecida por pano branco são manchas geralmente de cor branca superficiais na pele, comuns nas costas e nos braços. São fungos que habitam na pele e percebidos quando a pessoa toma sol, pois as manchas ficam mais evidentes e o bronzeado não atinge as áreas comprometidas. A dermatologista recomenda o uso de sabonetes levemente abrasivos para a remoção dos fungos e, se o paciente tem esse tipo de micose com frequência, utilizar o sabonete diariamente. A consulta ao dermatologista é essencial para a avaliação.

Diabéticos são mais sensíveis a micoses e devem estar frequentemente em contato com o médico.

Bicho geográfico

É um mal decorrente da contaminação pelas fezes de cachorros e gatos em ambientes como a areia da praia. A contaminação ocorre, por meio da penetração na pele de uma larva, principalmente no pé, podendo ocorrer em outras regiões como glúteos, perna ou mão. Chamada larva migrans ou bicho geográfico, por migrar sob a pele fazendo um trajeto como um mapa. Acompanhamento com dermatologista é recomendado para combater a proliferação dos fungos, esclarece Dra. Meire.

Um alerta aos pais com crianças que estudam em escolas e frequentam parques ou lugares que possuem tanques de areia é saber se o lugar está livre do contato com os animais e como é feita a limpeza local.

Exposição ao sol com queimaduras

A queimadura se deve a exposição inapropriada, seja pelo tempo, horário, falta de protetor solar ou pelo não uso do mesmo.

Dra. Meire Brasil Parada explica que a utilização do filtro solar deve ser feita com o produto adequado ao tipo de pele da pessoa. “A pele branca, por exemplo, deve receber filtro acima de 50, o que não isenta as pessoas de pele morena e negra de que use um filtro com a mesma intensidade”, informa a dermatologista.

É indicada a reaplicação do protetor de duas em duas horas em quantidade generosa, para se obter o nível de proteção que está indicado no rótulo do produto. Caso não seja aplicada na dose recomendada, não terá o efeito necessário.

Entre 10h e 16h é o horário em que a radiação UVB (incidência maior no verão e responsável pelas queimaduras solares) age com mais intensidade, já a radiação UVA (possui intensidade constante durante todo ano) está presente desde que o sol nasce até o pôr do sol, por isso a necessidade de proteção da pele com protetor solar durante todo o dia, seja em dias quentes, frios, chuvosos ou nublados.

O que pode ser feito para aliviar a queimadura solar na pele são as compressas frias de água com álcool ou vinagre (medida ¾ água para ¼ de álcool) ou algum creme com ação antiinflamatória e calmante. A dermatologista esclarece, ainda, que a ida ao médico é essencial.

Uso de cosméticos

Dra. Meire Brasil Parada alerta sobre outro fator preocupante no verão é a ocorrência de manchas causadas por produtos a base de ácidos, que são fotossensíveis (sensibilidade ao sol). A exposição ao sol deve ser evitada ou intensificar o uso do filtro solar quando a pessoa estiver em uso destes produtos. O paciente deve buscar orientação de seu médico.

Picadas de inseto

Para as pessoas que tem alergia a picadas de insetos, o ideal é fazer a prevenção por meio do uso de repelentes, que podem ser aplicados sobre a pele, roupas e até mesmo no ambiente. Há produtos adequados para as crianças e adultos, em loção cremosa ou spray. Se houver inflamação na região da picada, o indicado é procurar um médico, explica Dra. Meire.

Dica importante: para quem precisa utilizar o repelente durante todo o dia, o ideal é que seja aplicado primeiramente o repelente, esperar o mesmo secar e, por último, aplicar o protetor solar.






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