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30/07/2013
Você sabe a diferença entre bronquite, bronquiolite e asma?



É comum nesta época do ano as pessoas ficarem doentes com problemas na garganta, ouvidos e pulmões. Em geral, no período, prevalecem doenças como alergia, asma, bronquite, faringite, laringite, meningite, pneumonia, resfriado, rinite, sinusite e gripe.

Frequentemente confundidas, asma, bronquite e bronquiolite são doenças com causas e tratamentos completamente diferentes.

O período de inverno é extremamente propício para o aparecimento dessas doenças respiratórias, uma vez que as pessoas tendem a se confinar em ambientes fechados.


O Uso das Lareiras no Tempo Frio e seu Impacto na Saúde

Para o brasileiro, acostumado com o clima tropical e o calor em grande parte do ano, a chegada do inverno traz uma série de desconfortos em algumas regiões. As temperaturas baixas especialmente nas regiões sudeste e sul requerem roupas mais pesadas, que nos protejam efetivamente do frio intenso. Na tentativa de trazer para casa um pouco mais de aconchego, uma das saídas são as lareiras domiciliares.

Contudo, Dr. Fernando Lundgren, presidente do Departamento de DPOC da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), explica que devemos tomar muito cuidado com o uso destes artefatos, uma vez que a fumaça proveniente da queima da lenha, assim como a do carvão de fogoões e churrasqueiras, é bastante prejudicial à saúde respiratória.

“A inalação desta fumaça é um tanto quanto perigosa, podendo agravar doenças já existentes – como a asma e bronquite crônica –,ou, em casos extremos, levar ao aparecimento de novas patologias, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)”, explana o especialista.

“A fumaça liberada é composta por partículas que obstruem as vias aéreas superiores, fazendo com que o indivíduo tenha dificuldade de respirar, provocando também infecções e inflamações que podem dar inicio a crises de asma e rinite ou pneumonia”.

Segundo Dr. Lundgren, não há um tempo máximo considerado seguro para a exposição à fumaça da lareira. A grande preocupação é que haja uma boa exaustão, afastando as partículas nocivas de dentro de casa, garantindo, mesmo com a lareira acesa, um ambiente limpo e ar fresco.

“A limpeza da chaminé deve ser feita pelo menos uma vez ao ano, já que com o tempo a fumaça passa a penetrar nas paredes, diminuindo o fluxo de passagem das partículas sólidas presentes no gás”, finaliza.


Confira cada uma destas doenças:

1) Asma

É uma doença de origem genética que causa inflamação dos brônquios, que são “tubos” que levam ar para o pulmão e chiados, dores no peito, tosse e dificuldade para respirar são alguns dos sintomas. Exposição a fatores alergênicos, como pó doméstico, faz os brônquios se fecharem, causando tais sintomas.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) a asma atinge mais de 22 milhões de brasileiros. Embora seja uma doença tratável - com medicamento oferecido gratuitamente na rede pública - a doença ainda mata cerca de 2,5 mil pessoas por ano, de acordo com o Ministério da Saúde, (clique aqui)

Ainda segundo a SBTP, o número de asmáticos aumenta a cada ano. “Se não for devidamente controlada, a asma pode interferir em toda função pulmonar do indivíduo, levando a infecções pulmonares e pneumonia”, ressalta o pneumologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, João Adriano de Barros.

O inverno é um período favorável para desencadear a doença. A estação fria e o ar seco transformam-se em mecanismo irritante das vias aéreas o que pode propiciar crises de asma. “A asma é uma inflamação aguda das vias aéreas, que causa o fechamento dos brônquios, levando a dificuldades respiratórias”, explica João Adriano. Além do clima, a predisposição genética, a poeira e ácaro também são fatores que levam ao processo inflamatório.

A doença propicia também o aparecimento de refluxo do estômago para o esôfago e pode gerar alterações crônicas brônquicas como bronquiectasias (brônquios dilatados e deformados) e bronquite irreversível. “Se não for adequadamente tratada, além das frequentes ida ao pronto-socorro e internações, a asma pode levar à morte”, enfatiza o pneumologista.

Sintomas e tratamento

Os sintomas da doença podem surgir em qualquer fase da vida. “O mais comum é aparecerem na infância, porém podem ocorrer muito tempo depois. Há pacientes que começam a ter crises quando são idosos”, conta o pneumologista. É importante ressaltar que há pessoas alérgicas que não desenvolvem o problema. “A manifestação da alergia é variável. Podemos dizer que a maioria dos pacientes com asma são alérgicos, porém nem todo alérgico tem ou terá asma”, informa Dr. João Adriano.

O diagnóstico da doença é feito por consulta médica, testes físicos e pela espirometria, exame que mede a função pulmonar. O tratamento é realizado com o uso de medicamentos anti-inflamatórios e preventivos e de medicamentos inalados, que, segundo o pneumologista, costumam ser mais eficazes.

Uma boa educação sobre a doença também é necessária. “Não adianta agir como se ela não existisse. Usar os medicamentos indicados diariamente, retirar todos os fatores agravantes da asma (tapete, cortina, livros no quarto, bichos de pelúcia, etc.) e aliar esses cuidados com exercícios físicos, controle do peso e de estresse emocional é essencial para um bom controle da doença”, ensina.

A asma costuma afetar muito a qualidade de vida do paciente, por isso, o seu controle e dedicação no tratamento são tão importantes. “Alterações no sono, em suas atividades físicas e de lazer são comuns quando o tratamento não é adequado”, salienta o médico.


Segundo Dra. Sheila Maria Cardinali Tamiso (CRM 85654) , logo abaixo os mitos e verdades sobre a asma:

Gatos provocam a doença? Verdade

Plantas não podem aumentar as crises? Mito

Higienização dos ambientes pode ser um fator importante para melhorar uma crise? Verdade

Asma tem melhora com tratamentos? Verdade

Asmáticos não podem praticar atividades físicas? Mito

O cigarro piora o estado respiratório de um asmático? Verdade

Asma pode levar a morte? Verdade

Viver em estâncias balneárias ou no campo melhoram a qualidade de vida de quem sofre de asma? Verdade

O uso prolongado das chamadas “bombinhas” ocasionam problemas cardíacos? Mito


2) Bronquite

A bronquite é uma doença pulmonar que muitas vezes é resultado da exposição constante a substâncias como fumaça de cigarro ou outros produtos químicos, levando à inflamação dos brônquios. Falta de ar e tosse com secreção (conhecida como pigarro) são algumas das consequências da doença.

Segundo Dra. Marina Buarque de Almeida, pneumopediatra da SPPT "muitas pessoas chamam - erroneamente - de bronquite o que na verdade é asma. Aqui a bronquite seria o que nós chamamos de DPOC (Doença pulmonar obstrutiva crônica), que é resultado de exposição ao tabaco." Há várias outras formas diferentes de bronquite, um termo genérico para indicar inflamação nos brônquios, que se manifesta com tosse e expectoração e pode ser provocada por agentes infecciosos e irritantes


3) Bronquiolite

A bronquiolite é uma das principais causas de hospitalização em crianças durante essa época do ano. Bebês prematuros e menores de um ano correm risco maior de contrair a doença já que neles a parte terminal dos brônquios é muito pequena, facilitando a obstrução em caso de inflamação e impedindo a passagem do ar.

O principal agente causador é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e a bronquiolite é uma doença das vias respiratórias, mais frequente após infecções respiratórias. Com a saúde frágil, a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) leva à inflamação nos bronquíolos, que passam a produzir mais muco (catarro), que se acumula e acaba obstruindo a passagem do ar, explica o Dr. José Eduardo Delfini Cançado, pneumologista.

A doença acomete principalmente as crianças menores de dois anos de idade, especialmente os meninos, que apresentam naturalmente as vias aéreas inferiores - brônquios e bronquíolos - mais estreitas que as das meninas.


Sintomas como, tosse, falta de ar, chiado no peito, febre, obstrução nasal e a perda de apetite são alguns dos indícios da bronquiolite. Alguns casos trazem também febre alta e persistente e recusa de alimentos e líquidos, levando o paciente à desidratação.

Por conta dos diversos sintomas comuns a ambas, nem sempre é simples diferenciar a bronquiolite de uma crise de asma. Por este motivo, ao primeiro sinal de desconforto, é importante encaminhar a criança para avaliação médica. Só o especialista poderá identificar a doença corretamente e orientar o tratamento mais adequado, rapidamente.

Conforme o estado de saúde do paciente, a presença de complicações e o grau de desconforto respiratório, podem ser necessários hospitalização e fisioterapia respiratória.

“As doenças respiratórias agudas são as principais causadoras de morte infantil. Isso porque, nem sempre as famílias conseguem identificar que a irritação e a recusa alimentar do bebê são, na realidade, uma enorme falta de ar. Por isso é muito importante que a mãe esteja atenta a estes sintomas e encaminhe seu filho ao médico tão logo perceba os sintomas”, explica a Dra. Marina Buarque de Almeida, pneumopediatra da SPPT.

Mas não são apenas as crianças que são acometidas pelo Virus Sincicial Respiratório. Segundo a Dra. Marina, o VSR pode também acometer os maiores e inclusive adultos. “Nestes casos geralmente são acometidos apenas as vias aéreas superiores, como nariz, laringe, faringe e seios paranasais, não chegando aos pulmões, como acontece em crianças menores”.


Comparando as Doenças

A progressão destas doenças crônicas está diretamente relacionada à dificuldade de diagnóstico preciso e precoce, que define o tratamento mais efetivo para cada tipo de enfermidade. Ainda há muitos equívocos e dúvidas sobre a asma, bronquite e a DPOC. As três patologias possuem convergências nos sintomas, nas causas e nos riscos oferecido aos pacientes. Por isso, é importante destacar a definição de cada uma delas, seus sintomas e tratamentos disponíveis atualmente.


Patologia O que é? Sintomas Tratamento
Asma Doença caracterizada pela inflamação eosinofílica crônica das vias aéreas, geralmentedesencadeada por alérgenos. Ela determina o seu estreitamento, causando dificuldade respiratória, e geralmente tem início na infância. - Tosse seca - principalmente à noite   
- Chiado no peito
- Respiração mais rápida
- Falta de ar
- Cansaço físico
- Sensação de aperto ou dor no peito
O foco do tratamento é a inflamação e a redução da exposição aos fatores desencadeantes para manter a asma sob controle e evitar as crises. Na terapia está recomendado o uso de anti-inflamatórios inalados associados ou não aos broncodilatadores.
Traquebronquite Inflamação dos brônquios, causada geralmente por uma infecção viral, bacteriana ou reação alérgica a substâncias como fumo, pó, produtos químicos entre outros. - Tosse barulhenta com catarro 
- Respiração difícil e rápida
- Chiado no peito
- Febre
Alguns médicos recomendam antibióticos, anti-inflamatórios sistêmicos e medicamentos para aliviar ou reduzir a tosse, tratando as via aéreas inflamadas e também febre.
DPOC
Doença Pulmonar
Obstrutiva Crônica
Normalmente subdiagnosticada, a DPOC ocorre quando há redução na capacidade respiratória provocada pela  inalação de fumaça, especialmente do cigarro. A bronquite crônica e o enfisema são duas formas de DPOC. O principal fator de agravamento são as crises, que provocam internações e aumento da mortalidade. - Falta de ar
- Limitação gradual às atividades físicas
- Produção excessiva de catarro
- Tosse crônica
- Fraqueza no funcionamento do coração, com o aparecimento de inchaço nos pés e nas pernas  
A principal abordagem é a interrupção do tabagismo. As terapias medicamentosas são focadas principalmente no alívio dos sintomas, com o uso de broncodilatadores. Nos pacientes que apresentam crises frequentes está indicado o uso de anti-inflamatórios, como os corticoides e/ou os inibidores da PDE4.  


Estudo japonês conclui que acupuntura ajuda pessoas com bronquite e enfisema pulmonar

Muitas cidades brasileiras têm registrado temperaturas baixíssimas, causando um agravamento no sistema respiratório da população.

Segundo pesquisadores do Japão, pessoas que sofrem de bronquite crônica e enfisema pulmonar podem encontrar na acupuntura um alívio para a respiração.

A pesquisa, realizada pela Universidade de Kyoto e da Universidade Meiji de Medicina Integrativa e publicada no Archives of Internal Medicine, analisou 68 pessoas com doenças pulmonares obstrutivas crônicas (COPD, na sigla em inglês), durante três meses, sem suspender a medicação prescrita pelo pneumologista. Um dos grupos de pesquisa foi submetido à acupuntura real, e outro grupo à acupuntura falsa – sem penetrar a pele.

O resultado constatou que aqueles que praticaram a acupuntura real por três meses, junto com a medicação, foram capazes de caminhar por mais tempo sem se tornar ofegantes, diferente do grupo que recebeu o tratamento com a acupuntura falsa. Além disso, notou-se uma melhora significativa na qualidade de vida dos participantes e um aumento na capacidade de se exercitar.

Para o presidente da Associação Brasileira de Acupuntura do Rio de Janeiro (ABA-RJ), Dr. Márcio De Luna, acupunturista há 29 anos, “o
tratamento por acupuntura em pessoas que sofrem de problemas pulmonares, principalmente nessa época do ano, pode realmente melhorar a função pulmonar global, facilitando a respiração e melhorando a saúde como um todo, como confirmou o estudo”.



Tosse

Por mais que pareça, a tosse não surge apenas para impedir que você ouça a frase definitiva do protagonista na cena mais importante daquele filme ansiosamente aguardado. Reflexo repentino da impulsão do ar, a tosse funciona como um mecanismo de autolimpeza do sistema respiratório e é uma resposta do organismo contra agentes irritantes presentes na garganta, cordas vocais, traqueia ou pulmões.

Essa arma que tem como objetivo proteger as vias aéreas contra a entrada de substâncias estranhas ou o acúmulo de secreções é, na verdade, um sintoma comum a diversas doenças do sistema respiratório superior - gripe, rinite e sinusite - ou inferior - asma, bronquite, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e pneumonia. Também pode ser causada pelo refluxo gastroesofágico ou pelo uso de alguns medicamentos, como os anti-hipertensivos.

O ato de tossir compreende quatro fases. Primeiro, um estímulo provoca a irritação. No momento em que o organismo identifica que há algo interrompendo o fluxo de ar, manda um sinal para o hipotálamo, o centro da tosse no cérebro. Na sequência, o indivíduo inspira profundamente e o ar inalado aumenta o volume torácico. Após a inspiração, o hipotálamo envia o comando da tosse para os nervos que controlam o sistema respiratório, provocando a abertura súbita da glote. Por fim, o esforço muscular produz um jato de ar que, em alta velocidade e elevado volume, expulsa o corpo estranho para o exterior.






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