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16/09/2013
Você sabia que em todas as fases da vida da mulher a Vitamina D atua como um pré hormônio?



Fundamental para a saúde, a vitamina D pode prevenir inúmeras doenças, inclusive as auto imunitárias e neurodegenerativas. Em 1995, foram registrados mais de oito milhões de doenças autoimunitárias e nos Estados Unidos, um em cada 31 americanos tinha alguma deficiência de vitamina D. Em 2010, o número saltou para 30 milhões e um em cada 10 americanos possui essas enfermidades. Ficar exposto ao sol, em média, 20 minutos por dia, é essencial para adquirir esse tipo de vitamina.

Segundo o neurologista e professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Dr. Cícero Coimbra, que conduz importantes estudos sobre o tema, a maneira mais fácil e eficaz de adquirir essa rica vitamina é tomar sol no início da manhã ou no final da tarde, quando os raios ultravioletas não estão tão fortes. “É importante ter em mente que o resultado não é o mesmo com o sol do meio-dia, que provoca câncer de pele”, orienta o médico. O especialista acrescenta que a quantidade de sol necessária para repor a vitamina depende da idade, da cor da pele e da quantidade de roupa – o ideal é vestir roupas leves, como bermuda e camiseta.


As mulheres e a Vitamina D
Da gestação à menopausa, passando pela adolescência, a vida das mulheres, sobretudo, é conduzida por hormônios do começo ao fim. Antes apenas atribuídos aos hormônios relacionados às atividades reprodutivas hoje se sabe que outras substâncias, como por exemplo a vitamina D, desempenham papel fundamental na regulação do organismo feminino prevenindo ou sendo fatores desencadeantes de doenças importantes, como neoplasias, osteoporose entre outras.

Suas diversas ações no organismo ocorrem de modo similar à ação dos hormônios, seja influenciando as funções metabólicas, celulares, seja ativando a expressão de genes (se correlaciona direta ou indiretamente com mais de 2000 genes, ou aproximadamente 6% do genoma humano). Por isso, atualmente, no meio científico, é considerada um pré-hormônio lipossolúvel que apresenta duas formas principais, a vitamina D2 (ergocalciferol) e a vitamina D3 (colecalciferol). A vitamina D (D2 e D3) é obtida a partir da exposição solar, da alimentação ou de suplementos e mesmo assim fica biologicamente inativa, devendo passar por duas reações de hidroxilação (no fígado e no rim) para se tornar ativa no organismo.

Ele atua na regulação de vários órgãos, mas tem como prioridade regular e manter o fluxo plasmático de cálcio e fósforo, propiciando a absorção intestinal dessas substâncias, provenientes da alimentação e inibindo a excreção renal, promovendo sua reabsorção. Dessa maneira, promove a mineralização dos ossos e previne a hipocalcemia.

Assim, a vitamina D é parte importante do ciclo de vida feminino e deve ser mantida em níveis adequados para garantia de saúde e bem-estar.

Em um estudo realizado na cidade de São Paulo, em 2010, foram confirmadas as mesmas tendências observadas nos estudos realizados ao redor do mundo. Foi observada deficiência de vitamina D em 77% da população estudada, com maior prevalência após o inverno em indivíduos com maior concentração de melanina na pele, maior idade e maior índice de massa corpórea. Segundo a ginecologista, Dra. Aparecida Maria Pacetta, Assistente doutora da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a deficiência de vitamina D é um problema mundial, mesmo em países onde há maior incidência de raios ultravioletas. “Hoje sabemos que é possível controlar esse problema por meio da ingestão adequada dos alimentos e da suplementação de Vitamina D”, explica.

Gravidez e lactação
Mulheres em fase de gestação e amamentação são consideradas como grupo de risco para apresentar hipovitaminose D. Em um estudo coordenado por Lee et al., observou-se que mais de 70% das mães e 80% dos recém-nascidos apresentavam níveis de deficiência de vitamina D. Isso ocorreu apesar do consumo de suplemento materno diário contendo 600 UI de vitamina D. “Vimos que a vitamina D desempenha papel fundamenta na formação do esmalte dentário, no desenvolvimento esquelético do feto e provavelmente tem ação em seu crescimento como um todo”, comenta a médica.

Em estudos nos quais foram avaliados fetos humanos de mães tratadas com altas doses de vitamina D, não foram encontradas anormalidades estruturais destes. Em relação à deficiência materna e vitamina D, estudos em animais evidenciaram presença de déficit na função do músculo cardíaco, no desenvolvimento neurológico e na formação da estrutura esquelética.

Mesmo assim, esses mesmos estudos demonstram que há uma tendência na redução de taxas de recém-nascidos com baixo peso (< 2.500g) nas gestantes que consomem suplementos contendo vitamina D. Em mães lactantes, a concentração de vitamina D no leite materno é reflexo do nível sérico desta. Mesmo sabendo que o nível de vitamina D do leite materno não é suficiente para suprir as necessidades diárias dos lactentes, fica implícita a importância da manutenção de níveis adequados de vitamina D para contribuir na prevenção de raquitismo nas crianças.

Adolescência e menacme
Durante a adolescência, apesar do crescimento musculoesquelético, a necessidade da ingestão basal de vitamina D em condições normais se mantém inalterada (dose de manutenção e 400 a 600 UI/dia, quando níveis de vitamina D estão adequados). Contudo, as adolescentes são consideradas grupo de alto risco para deficiência ou insuficiência
de vitamina D. Mesmo em mulheres jovens, os níveis de vitamina D correlacionam-se positivamente com a densidade mineral óssea. Isso faz com que seja desejável manter níveis de vitamina D suficientes nessa faixa etária.

Pós-menopausa
Uma das principais preocupações durante o climatério e toda a menopausa é manter a saúde óssea da mulher. A vitamina D é primordial para a construção e a manutenção do osso e, com o avançar da idade, ocorre a redução de sua ingestão, bem como da exposição solar. Pessoas idosas, em especial institucionalizadas, apresentam menores taxas de fratura de quadril quando recebem suplementação de vitamina D e cálcio. O consumo de vitamina D em doses inferiores a 400 UI/dia não mostrou proteção contra fraturas. Já o consumo de doses maiores, de 482 a 770 UI/dia, reduz a ocorrência de fraturas vertebrais em 20% e de fraturas de quadril em 18%.

No entanto, o maior fator de risco para fraturas nessa faixa etária não é a osteoporose, e sim a ocorrência de quedas e nesse sentido, a vitamina D é fator importante na redução delas pela melhora da força muscular e na capacidade de realizar movimentos rápidos.

A cada dia, novos estudos encontram evidências que conectam a exposição solar controlada e os níveis séricos adequados de vitamina D com a promoção da saúde nas mais variadas áreas da medicina, incluindo o aumento da fertilidade, a proteção da gravidez, a redução dos processos inflamatórios, a proteção de algumas doenças infecciosas (como a gripe e a tuberculose), do acidente vascular cerebral e de demências, do infarto e de arritmias cardíacas, da hipertensão arterial sistêmica, do câncer (mama, cólon, ovário e pâncreas), do declínio da função respiratória e da depressão. Essa combinação também pode ajudar a controlar o peso e a evitar o diabetes do tipo 2, fortalecer o sistema imunológico e a memória, além de manter o sistema osteoarticular saudável. Em última análise, há fortes indícios de que a manutenção de níveis séricos adequados de vitamina D pode atuar como um eficaz e acessível promotor da saúde e do bem-estar geral da população.


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