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05/05/2014
Os males causados pelo sal!

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do estado de São Paulo orienta como evitar doenças cardiovasculares e hipertensão arterial e informa a importância do iodo no organismo

Depois do anúncio da OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre as novas diretrizes do consumo de sal para crianças, a SBEM-SP (Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) alerta a população sobre as doenças cardiovasculares causadas pelo uso exagerado do sódio na alimentação.

A nova recomendação da OMS para o consumo máximo de sódio na dieta é de dois gramas de sódio (ou cinco gramas de sal) para crianças, e de menos de cinco gramas de sódio para adultos. “As medidas são uma tentativa de reduzir os riscos de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares relacionadas ao uso do sal, que se revela excessivo e crescente, principalmente, em países desenvolvidos e em desenvolvimento. No Brasil, o consumo estimado é de cerca de 9 a 10 gramas ao dia, muito acima do que indica a OMS”, explica o endocrinologista José Augusto Sgarbi, especialista e Tesoureiro Geral Adjunto da SBEM-SP.



O excesso da ingestão de sal e sódio propicia doenças cardiovasculares como o acidente vascular cerebral (derrame), a angina, a arritmia, a aterosclerose, o enfarte, e hipertensão (pressão alta), entre outras que afetam o coração e as artérias.

Para evitar tais danos à saúde, a SBEM-SP sugere uma atenção especial aos índices de composição de sódio em alimentos industrializados como batatas frita e palha, biscoitos, margarinas e manteigas, molhos concentrados como maionese, ketchup e mostarda, salgadinhos à base de milho, entre outros que são maléficos ao público infantil, aos adolescentes e adultos.


Iodo

Apesar de a redução do consumo de sódio ser positiva, é preciso ter atenção com a ingestão de iodo, um elemento necessário para a produção de hormônios pela glândula tireoide.

A deficiência de iodo é um importante problema de saúde pública que atinge mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, incluindo partes da Europa, Ásia e África. “O problema é de particular importância durante a gravidez e na primeira infância, quando a deficiência de iodo pode causar hipotireoidismo e retardo mental irreversível”, explica Dr. José Augusto Sgarbi.

Como o iodo não é sintetizado pelo organismo, a ingestão por dieta é necessária. Alguns alimentos são fontes de iodo, como leite de vaca, iogurtes, sorvetes, ovos, molho de soja, algas marinhas, peixes marinhos e frutos do mar, mas são insuficientes para as necessidades diárias do ser humano e não estão disponíveis para toda a população. Assim, a suplementação do iodo é realizada no Brasil e em outros países por meio de um programa de enriquecimento do sal de cozinha com iodo. “Estima-se que, no Brasil, cada cinco gramas de sal iodetado contenham aproximadamente 100 microgramas de iodo e a suplementação considerada ótima para adultos seria de 100 a 150 microgramas por dia, com ingestão mínima necessária de 50 microgramas por dia. Para crianças, as necessidades variam de acordo com a faixa etária, de aproximadamente 40 microgramas de iodo ao dia, entre 0 a 5 meses de idade, e de 100 a 150 microgramas por dia para crianças maiores de 11 anos”, diz Sgarbi.

A ingestão excessiva de iodo também pode afetar a função tireoidiana e aumentar a prevalência de doenças autoimunes como a tireoidite de Hashimoto, a principal causa de hipotireoidismo. “Há um aumento da incidência de tireoidite de Hashimoto no Brasil, o que talvez pudesse estar associado ao excessivo consumo de sal na dieta do brasileiro. Por esta razão, a ANVISA abriu, em 2011, uma consulta pública com a proposta de reduzir a quantidade de iodo presente no sal brasileiro. Estima-se que o sal comercializado no País possua entre 20 e 60 miligramas de iodo por quilo de produto e a OMS recomenda que, em países em que a população consome em média 10 gramas de sal por dia, a quantidade de iodo a cada quilo de sal esteja entre 20 e 40 miligramas”, alerta o endocrinologista.

De acordo com o especialista da SBEM-SP, a recomendação da OMS é positiva por propor o consumo de dois gramas de sódio ao dia, o que corresponde a 100 microgramas de iodo ao dia, apenas por esta fonte, sem contar a oferta vinda de alimentos, quantidade suficiente para a biossíntese hormonal tireoidiana. Há, no entanto, que se avaliar o impacto dessa recomendação na gravidez, quando o consumo de iodo deve ser aumentado para no mínimo 150 microgramas por dia. “A redução do iodo no sal poderia ainda afetar a ingestão durante a gestação, visto que há indícios de redução da excreção urinária de iodo durante a gravidez e em mulheres em idade reprodutiva nas cidades de Ribeirão Preto e na população nipo-brasileira de Bauru”, informa José Augusto Sgarbi.

Por este motivo, o Departamento de Tireoide da SBEM se posicionou contra a redução do iodo no sal de cozinha. “As políticas públicas de saúde devem focar na redução do consumo do sal de modo geral, e não na redução do seu conteúdo de iodo”, afirma a endocrinologista Laura Sterian Ward, vice presidente da SBEM-SP (Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia). “Não podemos correr o risco de novamente termos uma epidemia de bócio ou de crianças afetadas pela deficiência de iodo, que foi um flagelo no Brasil antes da iodação obrigatória do sal ser instituída”, conclui a Dra. Laura Ward.



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