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19/05/2014
Enxaqueca e Ciclo Menstrual, qual a relação?

Estima-se que 30 milhões de brasileiros enfrentem a enxaqueca regularmente. Cerca de 30% dos casos é com aura, que são distúrbios visuais como luzes piscando, manchas brilhantes e visão borrada. Quando isso acontece, o risco de infarto e AVC é três vezes maior. “Se a pessoa for tabagista e usar contraceptivo oral, o risco dá um salto e torna-se nove vezes maior”, alerta a neurologista Dra. Thaís Villa, especialista em cefaleias e coordenadora da recém-lançada Clínica de Cefaleias do HCor Neuro.

Quando a enxaqueca aparece, o brasileiro costuma usar analgésicos de venda livre para controlar os sintomas. Embora haja alívio momentâneo, essa prática não evita novas crises e pode, inclusive, torná-las mais frequentes. “A grande maioria das pessoas não sabe que existem tratamentos especificamente para reduzir o número e a intensidade das crises”, alerta Dra. Thaís Villa.

A Sociedade Internacional de Cefaleia reconhece mais de 150 modalidades de dor de cabeça. Ela pode ser classificada ou dividida de várias formas de acordo com suas causas, duração, se é primária, secundária, aguda ou crônica.

“A enxaqueca é o tipo de dor de cabeça mais difícil de diagnosticar, pois o diagnóstico não depende de exames, mas sim de uma conversa que o médico deve ter com o paciente sobre os sintomas. Além disso, ela não é um sintoma de dor de cabeça, ela é a própria doença, ao contrário da dor de cabeça que uma vez diagnosticada pode ser tratada e os sintomas desaparecem”, explica o neurologista Leandro Teles (CRM-124.984).


Combatendo as crises

O primeiro passo para combater a enxaqueca é identificar seus gatilhos. Embora alguns sejam mais frequentes, como estresse e jejum prolongado, eles podem variar muito de pessoa a pessoa, por isso a avaliação clínica precisa ser bem detalhada e individualizada. “Uma consulta sobre enxaqueca precisa ser longa e o paciente precisa ser ouvido com atenção em todas as suas queixas, pois o diagnóstico é clínico”, explica a Dra. Thaís.

O objetivo é eliminar o máximo de gatilhos possível e, ao mesmo tempo, tornar o cérebro mais resistente a eles, com um tratamento medicamentoso preventivo, utilizando neuromoduladores, betabloqueadores e até antidepressivos. “A doença é genética: não tem cura, mas tem controle”, afirma a neurologista.


Gatilhos frequentes

Os gatilhos da enxaqueca costumam variar, mas existem alguns que são frequentes. Veja a lista dos principais:

- Estresse;
- Barulho;
- Cheiro forte;
- Claridade;
- Atividade física praticada irregularmente;
- Jejum prolongado;
- Mudança de rotina de sono;
- Álcool;
- Mudanças hormonais da menstruação.



Enxaqueca: várias causas, mas a mesma terrível dor! (clique aqui)



Mais comum em mulheres

Estima-se que 75% das pessoas que sofrem com enxaqueca sejam mulheres, ou seja, três mulheres para cada homem. A grande maioria dos casos acontece em idade produtiva, entre 18 e 55 anos.

Alguns dias antes do início da menstruação você começa sentir um enjôo, mal estar, dores de cabeça e intolerância à luz e ao barulho. O que muitas mulheres não sabem é que esses sintomas são uma consequência de uma enxaqueca catamenial – dor de cabeça que ocorre durante o ciclo menstrual.

A enxaqueca faz mais vítimas no sexo feminino: atingindo 16 em cada 100 mulheres.

Segundo a Dra. Erica Mantelli (CRM-SP 124.315), ginecologista e obstetra pós–graduada em Sexologia pela Universidade de São Paulo (USP), os culpados por esse incômodo são o estrógeno e a progesterona que são os principais hormônios que regulam o ciclo menstrual. “Esses hormônios sofrem uma oscilação durante a menstruação e por conta do baixo nível de estrógeno no sangue ocorre a enxaqueca catamenial”, explica.

O estrógeno tem a finalidade de controlar os níveis cerebrais de serotonina – hormônio do bem estar. A partir do momento que o estrógeno cai, os níveis de serotonina diminuem. A redução desse hormônio causa o aumento de uma substância no organismo que provoca a vasodilatação que é uma das responsáveis pelas causas da enxaqueca.

“No período menstrual, a enxaqueca pode ser acompanhada de cólicas menstruais, dores nas mamas, oscilações do humor”, afirma a ginecologista.



A má qualidade de sono pode agravar as crises de dor de cabeça, clique aqui



Pílula anticoncepcional

As mulheres que tomam pílula anticoncepcional não estão livres da enxaqueca. “Durante a pausa do medicamento ocorre uma diminuição do estrógeno, o que contribui para o surgimento da dor”, esclarece a Dra. Erica Mantelli.

Em alguns casos, as mulheres necessitam trocar a pílula anticoncepcional na tentativa de evitar a enxaqueca. “As mulheres que são predispostas a enxaqueca podem optar pelas pílulas que contém a progesterona e sem pausa. Além disso, alguns anti-inflamatórios prescritos dias antes da menstruação podem diminuir os sintomas”, sugere a ginecologista.

Lembrando que as pílulas que possuem uma dosagem hormonal mais baixa são menos associadas a enxaqueca.

Outras alternativas para melhorar a enxaqueca, além de medicamentos, incluem, realizar atividade física, acupuntura, fisioterapia, massagem, sessões de relaxamento e manter dieta balanceada e hidratação adequada.

Se a enxaqueca persistir, não deixe de consultar um médico para que ela seja diagnosticada e tratada o quanto antes.




Nosso neurologista, Dr. Paulo Caramelli, explica sobre A ENXAQUECA, clique aqui





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