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17/06/2014
Como saber se um homem é infértil?

Depois de tentativas recorrentes e malsucedidas de engravidar durante um ano todo, a orientação de um profissional especializado certamente poderá ajudar o casal a concretizar o desejo de aumentar a família. Antes, vale dizer que a origem das dificuldades distribui-se igualmente entre homens e mulheres – cada um contribuindo com 40%. Os outros 20% são atribuídos a fatores externos ou de incompatibilidade. Sendo assim, a postura ideal diante desse tipo de dificuldade é reconhecer que não se trata de um problema exclusivamente feminino e fazer os exames necessários, sem desviar do assunto.

“Rompida a primeira barreira, o homem geralmente vê que muitos outros estão na mesma situação – buscando solucionar um problema e realizar um desejo – e passa a colaborar de forma proativa. Afinal, quanto mais cedo for diagnosticada a causa da infertilidade, mais cedo também virá a solução”, diz Edson Borges Junior, especialista em Fertilização Assistida e diretor do Grupo Fertility. “A primeira medida tomada pelo urologista é levantar o histórico de saúde do paciente, levando em conta informações sobre doenças que já teve ou tem – incluindo as sexualmente transmissíveis –, cirurgias por que passou, medicamentos de que faz uso, se é fumante ou tem outros vícios, se tem uma vida sedentária ou atlética, seus hábitos sexuais etc.”.



De acordo com o especialista, paralelamente ao exame clínico, o paciente será submetido a um exame para analisar os espermatozoides. Mesmo nos homens considerados férteis, até 50% da população de espermatozoides do ejaculado pode apresentar alterações de motilidade e até 96% na morfologia, entre outras variáveis analisadas. O espermograma também é bastante útil para fornecer informações sobre o estado das glândulas acessórias, como próstata e vesículas seminais.

“Uma grande contagem de espermatozoides com aparência e movimentação normal sugere fertilidade. Porém, outros testes, como o Processamento Seminal Prognóstico, que representa o número de espermatozoides ‘úteis’, e o Teste de Fragmentação do DNA Espermático, que representa a estabilidade do material cromossômico, devem ser feitos juntamente com o espermograma. Caso o espermograma tenha resultado normal, mais um exame poderá ser requisitado para confirmar o resultado a partir de outra amostra. Por fim, caso nenhum espermatozoide seja encontrado na amostra – o que indica azoospermia – é sinal de que pode haver algo comprometendo um ducto seminal ou, ainda, que o paciente tenha um defeito congênito ou tenha sofrido algum acidente que levou à interrupção de produção de espermatozoides”, explica o médico.

Borges diz que, além da minuciosa análise seminal, outros testes podem contribuir para o tratamento da infertilidade – que às vezes é cirúrgico – e até mesmo para definir a técnica mais apropriada de reprodução assistida. É o caso da avaliação hormonal e da avaliação genética. Os três fatores genéticos mais frequentemente relacionados à infertilidade masculina são: aberrações cromossômicas, mutações gênicas e microdeleções do cromossomo Y – sendo que, na população de homens inférteis, a incidência de alterações cromossômicas é de 7%, em média.

“Antes de iniciar o tratamento de infertilidade masculina, é importante assegurar que a parceira esteja com seu potencial reprodutivo adequado. Os tratamentos mais selecionados são a reversão da vasectomia e o tratamento da varicocele, que consiste na dilatação anormal das veias testiculares e que acaba comprometendo a qualidade do sêmen. Em até 38% dos casos, varicocele é o problema de origem da infertilidade, podendo ser revertido. Mas também são passíveis de correção problemas como disfunção erétil, fimoses muito graves, ejaculação retrógrada, abuso de álcool, drogas ou superexposição a substâncias tóxicas encontradas em pesticidas e outros químicos”, diz o especialista – chamando atenção para o fato de que um grande número de inovações tecnológicas e científicas em medicina reprodutiva tem alterado radicalmente as opções para o tratamento de casais inférteis nos últimos anos.


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Urologia e Saúde com Dr. Antonio Otero Gil





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