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02/10/2014
Os 40 anos de hoje são os novos 30 para as mulheres?

Os 40 anos de hoje são os novos 30? A resposta pode ser sim, dependendo de qual aspecto estamos falando. Aparência física ou fertilidade? Elas só precisam ficar atentas à fertilidade, pois não existe botox para o ovário.

Se o assunto é a aparência física, podemos afirmar que as mulheres de hoje estão cada vez mais jovens. É o sinal dos tempos atuais: exercícios físicos, academia, boa alimentação, recursos da medicina estética, um modo de se vestir mais fashion e uma boa dose de vaidade tornam uma mulher aos 40, ou até aos 50, com uma aparência muito jovem. Tudo bem diferente dos tempos passados quando esses recursos inexistiam e a fisionomia dessas mulheres era mais sóbria e muitas delas já tinham netos. Hoje este retrato mudou. Algumas são mães recentes e passeiam orgulhosas empurrando seu carrinho de bebê, iguais as do passado nos seus 20 ou 25 anos.



Entretanto, se o assunto for fertilidade a resposta pode ser diferente. É preciso lembrar que não existe botox para ovário!

Se a aparência física pode ser conservada ou disfarçada, o mesmo não acontece com os ovários e os óvulos. “Os ovários têm a mesma idade cronológica que a mulher. Não importa quanto jovem ela aparente ser, os óvulos envelhecem com o passar dos anos. As mulheres quando nascem têm em seus ovários um número pré-determinado de óvulos que serão desperdiçados com o passar dos anos, algo ao redor de dois milhões. Na primeira menstruação, que ocorre na idade próxima aos 12 anos, já possuem uma diminuição desta quantidade e terão apenas 300 mil óvulos capazes de serem fecundados”, explica Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, especialista em medicina reprodutiva e diretor do Centro de reprodução humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia)


A cada ciclo menstrual, para um óvulo que atinge a maturação, aproximadamente mil são perdidos. Neste processo contínuo e normal, a quantidade de óvulos de boa qualidade disponíveis para serem fertilizados vai diminuindo. Os que restam são chamados de “reserva ovariana”, que correspondem ao “estoque” de óvulos que permanecem nos ovários disponíveis para gerarem um bebê. “Após os 35 anos, na maioria das vezes, este número já é bem menor, iniciando-se um maior declínio da fertilidade. O ovário fica mais velho, independente da aparência física. Estima-se que uma mulher acima de 38 anos tenha somente 10% dos óvulos que possuía na época da sua primeira menstruação”, acrescenta Dr. Arnaldo.

Aos 40 anos poucos óvulos podem se desenvolver. A qualidade é bem inferior à encontrada aos 20 anos. Isto pode ser traduzido como dificuldade na ovulação, fertilização, implantação e desenvolvimento do embrião, menor chance de gravidez, maior chance de aborto e doenças cromossômicas.


A realidade dos tempos modernos

Um dos maiores problemas da fertilidade feminina é que a média de idade das mulheres que engravidam vem aumentando a cada ano. Se em um passado próximo, o inicio da maternidade era aos vinte, hoje, a média de idade do primeiro filho supera os trinta com tendência a aumentar. Atualmente, observa-se que um em cada cinco nascimentos é de mulheres com idade superior a 35 anos. Muitas razões provocaram esta evolução que se iniciou há algumas décadas quando as mulheres passaram a ter opções para o controle de natalidade. Controle esse que suas mães e avós não tiveram, pois não podiam determinar a época desejada de gravidez usando métodos anticoncepcionais de hoje, totalmente reversíveis.

Desde esta época, a mulher passou a adiar a gestação e perseguir um status profissional e uma carreira desejada. Entretanto, tudo isto pode ter um preço alto, uma vez que esta ideia estimula os casais a buscarem seu primeiro filho numa fase de declínio da fertilidade. Existem ainda outros fatores que motivam as mulheres a buscar um filho em uma idade tardia, como, por exemplo, um segundo casamento com um homem que não os têm.

Assim, não devemos nos deixar iludir pela aparência física, pois, a realidade é que podemos nos enganar!



Dr. Arnaldo listou 10 (dez) conceitos “perigosos” que podem confundir as mulheres:

A idade cronológica versus idade dos ovários:
1) Atualmente 40 anos é igual aos 30 de antigamente;

2) Todo mundo fala que você está ótima para a sua idade;

3) A tecnologia e a ciência são capazes de resolver todos os problemas da fertilidade, independente da idade da mulher;

4) Você acha que é improvável ser infértil por que teve um bebê há cinco anos;

5) Você vem de uma família fértil e seus avós tiveram um novo filho após os 45 anos;

6) Você usa pílula há muitos anos e acredita que seus óvulos foram preservados;

7) Você faz exercícios frequentemente, tem uma dieta saudável e uma boa qualidade de vida. Logo, quando desejar ter filhos, não terá dificuldades;

8) Você teve um aborto há dois anos quando tinha 43 anos. Por isso tem certeza que pode engravidar. Talvez tenha algo errado com o útero ou outros problemas;

9) Se pessoas conhecidas tiveram filhos com mais de 40 anos, você também pode;

10) Eu sou muito jovem para entrar na menopausa.



Como preservar a fertilidade feminina?

Algumas opções são o congelamento de óvulos, congelamento de tecido ovariano e congelamento de embriões.
Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce, por exemplo, poderão congelar seus óvulos preventivamente. Na época que desejarem ter filhos, caso seu ovário não esteja funcionando adequadamente, elas poderão utilizar os óvulos que foram congelados anteriormente. Caso contrário, se os ovários estiverem funcionando plenamente, poderão engravidar naturalmente.



Fertilização in vitro

Algumas vezes, pode haver um número maior de óvulos que, provavelmente formarão vários embriões. Como apenas parte será transferida para o útero (máximo de dois ou três) os outros deverão ser congelados. Caso ocorra gestação e o casal não queira mais ter filhos haverá problemas éticos, pois embriões são considerados seres vivos e não poderão ser descartados. O congelamento de óvulos resolve este problema pois, no futuro, óvulos são células, não são seres vivos e podem ser descartados se não forem utilizados. Se for realizado o congelamento de embriões, e o casal não mais os quiser, a única possibilidade será doá-los para outro casal ou pesquisa científica (células-tronco?).



Veja mais sobre SAÚDE FEMININA em nossa coluna de:

Saúde Feminina com Prof. Dr. Mauricio Simões Abrão





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