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27/10/2014
Envelhecimento Vocal atinge homens e mulheres!

A voz é um dos veículos mais ricos da comunicação humana, pois, além de nos tornar audíveis ao interlocutor nos identificam como um ser único, podendo ser comparada a uma impressão digital, pois por melhor que seja um imitador, se utilizarmos equipamentos de análise acústica, identificaremos as diferenças entre o imitador e o imitado.

Por meio das nuances vocais também transmitimos nossas emoções, impomos às nossas vozes tons de alegria, de tristeza, de insatisfação. Através dela damos pistas sobre nosso estado físico, como, por exemplo, o cansaço e a doença, além de fornecermos outras informações como: identificação do sexo do falante, sua idade, a região onde foi criado, etc.

“A voz é o resultado da sonorização do ar que vem de nossos pulmões, passando pela laringe e produzindo a vibração das pregas vocais e se mostra sensível às alterações hormonais, principalmente àquelas relacionadas aos hormônios sexuais. As variações dos níveis de estrógeno, progesterona e testosterona no organismo afetam diretamente nossa voz e nosso humor.”, explica Silvia Pinho, Doutora e Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana.

Tais hormônios começam a atuar de forma marcante na puberdade, principalmente nos meninos. Nessa etapa da vida, entre os 13 e os 15 anos de idade, as mudanças hormonais causam o aparecimento de pelos no corpo e o crescimento rápido da laringe, produzindo o abaixamento do tom da voz em cerca de uma oitava. Esse processo leva de seis meses a um ano para finalizar. Enquanto isso não ocorre, os meninos sofrem com as quebras vocais e desafinam com frequência, inclusive nesta fase muitos sofrem bullying, referindo-se à voz instável do garoto, que sofre atos de violência psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou um grupo. Geralmente, os que mais sofrem são aqueles cujas mudanças vocais são radicais, tornando-se extremamente graves. Muito frequentemente, adolescentes mais tímidos tentam se proteger do bullying impedindo que a muda vocal ocorra. Para isso descobrem o registro de falsete, cujo timbre é similar à voz infantil e o utilizam. Infelizmente, quando a adolescência passa e a maturidade chega à voz de falsete já está instalada definitivamente e automatizada, permanecendo "fina" na idade adulta, gerando problemas sociais devastadores ao portador.

Meninas também apresentam muda vocal devido ao pequeno crescimento laringeo, porém, de forma menos marcante, baixando apenas sua tonalidade vocal em aproximadamente 3 a 4 semitons apenas.

Já as mulheres, sofrem alterações vocais principalmente no período pré-menstrual, devido às trocas hormonais. Nesta fase, haverá retenção de líquidos e, consequentemente, edema (inchaço) de todo o corpo, incluindo as pregas vocais. Muitas cantoras evitam performances no período dos dois a três dias que antecedem a menstruação até dois dias após seu início, As dificuldades vocais variam desde voz mais grave e dificuldade em cantar notas agudas, até discreta rouquidão e velamento vocal.

Durante a gravidez o processo de retenção de líquidos no corpo se repete causando os mesmos sintomas vocais, além disso, ocorre o aumento de volume abdominal que dificulta o apoio respiratório, gerando incoordenação fonorespiratória.

Todo o corpo sente os sinais do envelhecimento. Com a voz não seria diferente. À medida que envelhecemos os hormônios sexuais reduzem, causando alterações em todo o corpo e também nas pregas vocais. O envelhecimento vocal, também conhecido por presbifonia, pode implicar tanto em abaixamento do tom vocal das mulheres, pela retenção de líquidos, como em sua elevação, por atrofia muscular. Nesta segunda situação, as pregas vocais passam a ter dificuldades em se aproximar e uma espécie de voz em falsete se estabelece de forma inconsistente, causando instabilidade vocal. No caso dos homens, costuma ocorrer elevação tonal, com instabilidade e voz fraca à medida que envelhecem. Existem pesquisas americanas que mostram que idosos que praticam regularmente atividades físicas e/ou vocais, como o canto, possuem melhores vozes do que os não atletas e não cantores.

O uso indiscriminado de hormônios, principalmente testosterona, seja para reposição hormonal, seja para ganho de massa muscular pode gerar alterações vocais irreversíveis e devastadoras para a mulher. O hormônio favorece edema e hipertrofia muscular, levando a voz a tons bem graves, Mesmo quando cessada a droga, o edema reduz, mas a hipertrofia não e como as pregas vocais são constituídas de músculos, também sofrem a hipertrofia havendo uma masculinização da voz. Outro ponto a destacar, é que hormônios femininos, à base de estrógeno, também são administrados a homens com problemas de próstata, no entanto, seu efeito sobre a voz não é significativo.



A otorrinolaringologista do Hospital São Vicente – FUNEF, Tatiana Patruni, explica que o início da condição depende da saúde física, psíquica e da história de vida. Nas mulheres, pode-se associar à menopausa, por conta do declínio das funções dos ovários. “Entretanto, o envelhecimento vocal se torna mais perceptível a partir dos 60 ou 70 anos”, detalha a especialista.

Esse processo natural acontece por conta da perda de massa e de tônus da musculatura da laringe, além do enrijecimento das cartilagens laríngeas. “O envelhecimento vocal e da musculatura da boca, faringe e laringe pode provocar alterações na deglutição, facilitando os engasgos e aspirações”, explica a otorrino.

Para se definir o diagnóstico de presbifonia, é necessários exames de imagem, como a laringoscopia direta e exames laboratoriais. Se confirmado, o tratamento é por meio da fonoterapia e devem-se fazer laringoscopias posteriores para acompanhar a evolução do tratamento.


Prevenção

A médica Tatiana Patruni conta que as alterações vocais podem ser retardadas e até mesmo evitadas, com um treinamento vocal adequado e contínuo, como o canto ou a própria fonoterapia. “Um bom condicionamento físico durante a vida adulta também contribui”, completa.




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Otorrinolaringologia com Dr. Mauricio Kurc





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