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03/03/2015
Dores Abdominais X Lombadas X Apendicite


A apendicite é uma das maiores indicações de cirurgia abdominal e uma das causas mais comuns das cirurgias de urgência em todo o mundo

Perguntar aos pacientes se a dor piora quando ele se locomove de carro sobre redutores de velocidade, como lombadas, pode ajudar os médicos a diagnosticar a apendicite. É o que sugere uma pesquisa da Universidade de Oxford e do Hospital Stoke Mandeville, publicada no BMJ Christmas edition.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores analisaram dados de 101 pacientes que foram encaminhados para ao Hospital com suspeita de apendicite no início de 2012. Deste contingente, 64 pacientes se depararam com redutores de velocidade a caminho do hospital. E neste grupo, 54 afirmaram que sua dor se agravou ao passar pelas lombadas. Destes 54, 34 tiveram o diagnóstico confirmado de apendicite.



Os pesquisadores concluíram que o aumento na dor do paciente quando o automóvel se deslocava sobre as lombadas está associado a uma maior probabilidade de apendicite aguda. "Você pode considerar estranho o ato de perguntar aos pacientes se a sua dor piorou ao ultrapassar redutores de velocidade. Mas o questionamento pode ajudar os médicos no diagnóstico da apendicite. Desde 1886, quando Reginald Heber Fitz, um patologista de Harvard, descreveu e nomeou a doença pela primeira vez, as dificuldades para um diagnóstico preciso têm sido muitas”, explica o gastroenterologista Silvio Gabor (CRM-SP 47.042).

Diagnosticar a infecção do apêndice pode ser "desafiador" para os médicos, mas esta é a mais comum das cirurgias de emergência abdominal, perdendo apenas para os traumatismos. A apendicite é uma emergência médica que requer uma cirurgia de urgência para remover o apêndice. Se não tratada, o apêndice pode se romper e causar infecções potencialmente fatais.

Nos casos de apendicite, o segredo para que o quadro não se torne mais grave é o rápido atendimento médico para chegar ao diagnóstico correto quando os sintomas, mesmo que imprecisos, são persistentes.

A grande dificuldade do diagnóstico da apendicite está no fato de que, no seu início, os sintomas podem ser inespecíficos e comuns a várias outras doenças. “Pode ser bem difícil diagnosticar a apendicite em crianças pequenas, idosos e mulheres em idade fértil (a dor localizada pode ser confundida com inflamações no ovário ou gravidez nas trompas, por exemplo). O primeiro sintoma é muitas vezes dor ao redor do umbigo ou na boca do estômago. A dor pode ser menor no início, mas torna-se mais aguda e grave com o tempo. O apetite do paciente é reduzido e pode haver náuseas, vômitos e febre baixa”, explica o médico.

Com o inchaço provocado pelo aumento do apêndice, a dor tende a localizar-se no canto inferior direito do abdomen. “E se concentra bem em cima do apêndice em um lugar chamado ponto de McBurney. Isto ocorre mais frequentemente entre 12-24 horas após o início da doença”, diz Gabor.


A dor da apendicite também piora quando o paciente caminha ou tosse, muitas vezes, o paciente opta por ficar quieto porque qualquer movimento repentino pode provocar muita dor.

Se o apêndice do paciente se rompe, ele pode ter menos dor por um curto período de tempo. Pode até mesmo achar que está se sentindo melhor. No entanto, uma vez que o forro de sua cavidade abdominal torna-se inchado e infectado - uma condição chamada peritonite - a dor piora e o estado geral do paciente se agrava. “Se o paciente tiver apendicite, a dor vai aumentar quando o médico pressionar suavemente sua barriga no canto inferior direito. Se o paciente tiver peritonite, tocar a área da barriga será doloroso e pode causar uma contração dos músculos”, explica o gastroenterologista.

Para diagnosticar apropriadamente a apendicite, o médico conta com a descrição dos sintomas, exames físicos e testes de laboratório. Em alguns casos, outros exames podem ser necessários, incluindo uma tomografia computadorizada abdominal e/ou uma ultrassonografia abdominal. Uma vez feito o diagnóstico de apendicite, o paciente deverá ser operado.

“Se o paciente não apresentar outras complicações de saúde, normalmente, o cirurgião irá remover seu apêndice logo após o diagnóstico médico, por meio de uma apendicectomia. Hoje, até mesmo casos mais complicados podem ser resolvidos com cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia. Três pequenos orifícios, com tamanhos não superiores a 10 milímetros, possibilitam a introdução do laparoscópio para extração do apêndice, com rápida recuperação. Métodos ainda mais modernos, como a laparoscopia com portal único, têm sido empregados por alguns médicos no Brasil, com grande vantagem estética para o paciente e sem prejuízo da segurança no ato cirúrgico. No entanto, como os exames utilizados para o diagnóstico da apendicite não são infalíveis, às vezes, a cirurgia poderá revelar que o apêndice do paciente está normal. Ainda assim, o cirurgião poderá remover o órgão e investigar o resto da cavidade abdominal em busca das causas para a dor do paciente”, explica o gastroenterologista Silvio Gabor.

Normalmente, quando o apêndice é removido antes que se rompa, a tendência é que o paciente se recupere muito bem, após a cirurgia. “Já nos casos onde o apêndice é rompido antes da cirurgia, o paciente provavelmente irá se recuperar mais lentamente, estando também mais propenso a desenvolver um abscesso ou outras complicações”, destaca o gastroenterologista.






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