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04/06/2007
Como manter o equilíbrio corporal na terceira idade

A queixa de tontura é um dos motivos mais comuns pelo qual os idosos procuram um serviço médico. A incidência da tontura aumenta com a idade e pode ser causada por diversas condições médicas, mas cerca de 45% dos casos são devidos às disfunções vestibulares. A lesão vestibular pode ser a mesma que no indivíduo jovem, mas os idosos têm problemas diferentes daqueles exibidos pelos jovens pelo seu próprio status de saúde.

O equilíbrio do corpo é mantido por três pilares coordenados pelo nosso sistema nervoso central (SNC).

Os três pilares do equilíbrio são: o labirinto, a propriocepção e a visão.

Os labirintos são sensores que nós temos nos nossos ouvidos. Um para cada orelha. Cabe aos labirintos informar ao SNC a movimentação e a posição da cabeça no espaço. O SNC, ao receber as informações do labirinto, passa a conhecer a posição da cabeça e com isso pode produzir reflexos motores para o equilíbrio e a locomoção. Se eu giro a minha cabeça para o lado direito, o meu SNC fica “sabendo” que a minha cabeça girou para à direita, e com isso vai contrair e relaxar determinados grupos musculares para que eu não me desequilibre com esse movimento .

A propriocepção é a informação proveniente do sistema proprioceptivo músculo-tendinoso. Ou seja, são sensores existentes nos tendões e nas nossas fibras musculares que analisam o grau de contração dos nossos músculos. Essa informação somada a exteroceptiva (tátil) chega ao SNC permitindo a análise da posição de todas as partes do corpo, relacionando-as entre si, com a direção da gravidade e com o plano de sustentação do indivíduo.

A visão, cujos sensores estão na nossa retina, ao trazer as imagens do meio externo contribui para o sentido de orientação espacial. Permite a percepção do ambiente que se movimenta em relação à cabeça.

A estrutura do SNC importante em coordenar as informações desses sensores chama-se cerebelo.

O SNC está continuamente aprendendo e interpretando essas informações, adaptando-as em várias situações (como em viagens de navio).

Graças a esses pilares podemos estabilizar a imagem do ambiente quando fazemos movimentos com a cabeça, podemos controlar o nosso equilíbrio quando estamos em pé ou andando (postura e locomoção) e podemos nos orientar no meio em que vivemos (orientação espacial).

Com o envelhecimento, ocorre um desgaste natural destas estruturas e como conseqüência podem aparecer as tonturas. Além disso, o idoso geralmente apresenta outras doenças que podem comprometer o funcionamento do sistema de equilíbrio corporal, agravando as tonturas e predispondo às quedas. Por exemplo, com o passar dos anos ocorre uma redução no número de células ciliadas das estruturas labirínticas e também uma diminuição de neurônios vestibulares e essa condição pode ser agravada por doenças vasculares, metabólicas, neurológicas ou por efeito de determinados medicamentos.

A acuidade visual, a capacidade de acomodar a visão e a perseguição uniforme normalmente declinam com o envelhecimento. Além disso, os idosos podem ter distúrbios oculares como catarata, glaucoma e degeneração macular que aumentam o comprometimento da visão. Estas alterações podem interferir na manutenção do equilíbrio corporal e dificultar a adaptação depois de uma lesão vestibular.

Alterações propioceptivas também ocorrem com o envelhecimento. Dificuldade para sentir a vibração, redução na capacidade de detectar o movimento passivo do pé e o aumento no tempo de reação do membro inferior são constantemente observados no idoso, além da diminuição da sensibilidade do pé. O diabete é uma das condições mais comuns nesta população, causando mudanças na somatossensibilidade distal e na visão.

Deste modo, as mudanças fisiológicas normais associadas ao envelhecimento do sistema vestibular, da visão e da propiocepção podem comprometer as condições de equilíbrio. Essa situação pode ser agravada por problemas comórbidos que freqüentemente existem entre os idosos predispondo-os a queda e a todas as suas conseqüências. Portanto, as medidas preventivas de queda associadas a um adequado tratamento médico das doenças que interferem no equilíbrio corporal podem melhorar muito a qualidade de vida do idoso, oferecendo-lhe maior segurança nas suas atividades diárias.

Novo aparelho usa realidade virtual para reabilitar distúrbios equilibratórios.

Um novo aparelho que utiliza realidade virtual para contribuir na identificação das manifestações relacionadas com o desequilíbrio encontra-se disponível. Ele faz uma clara avaliação das condições equilibratória, por meio de um exame chamado posturografia, que neste caso analisa mais amplamente do que os congêneres, uma vez que identifica os conflitos sensoriais, por meio de estímulos múltiplos, simultâneos.

Uma vez tratada a causa do distúrbio equilibratório, o paciente passa por um processo de reabilitação do equilíbrio, que neste caso, é ao mesmo tempo prático, sofisticado, e focado para as alterações específicas de cada paciente. Tem portanto ampla aplicação no tratamento de seqüelas que geram distúrbios equilibratórios, e igualmente uso amplo na prevenção de quedas principalmente em idosos.

O aparelho que recebe estímulos emitidos por um óculos 3D foi batizado de Unidade de Reabilitação Vestibular (BRU, sigla em inglês). Ele recria estimulações e situações do dia-a-dia que provocam desequilíbrio, como por exemplo, descer e subir escadas, andar em lugares desnivelado, movimentos bruscos, etc. Todo esse procedimento tem por objetivo relatar como está o equilíbrio do paciente. E contribuir para a sua reabilitação. “Estamos usando este recurso a pouco tempo, porém nossa visão atual, é que o recurso é muito produtivo e vai ter e manter um espaço dentro da reabilitação desse quadro de desequilíbrio”, afirma o Dr. Luiz Lavinsky, o primeiro médico a utilizar o BRU no Brasil.

O aparelho que começou a ser usado no Brasil recentemente vem gerando resultados satisfatórios. “Embora o número de pacientes ainda não seja expressivo, estamos alcançando resultados, de maneira muito mais palpável e mais rápida do que o habitual, gerando uma motivação visível nos pacientes e nos profissionais relacionados com estes pacientes”, relata Lavinsky.

O BRU é constituído de um óculos 3D que emite estímulos, uma plataforma que registra o nível de instabilidade postural e de um computador.

Na primeira etapa com o uso do sistema de realidade virtual, são identificadas as condições nas quais o paciente esta mais sujeito ao desequilíbrio, e, por conseguinte sujeito a quedas.

Na segunda etapa do processo o paciente recebe estímulos, através do sistema emissor de imagens virtuais (espécie de óculos), que recriam as situações que causam tontura ou vertigem, e portanto propiciam uma efetiva reabilitação.





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