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18/06/2007
Mitos sobre o pênis

Falta de informação compromete a saúde e a sexualidade do homem

O imaginário popular criou, ao longo dos tempos, uma série de idéias que foram se cristalizando como verdades absolutas, dando origem aos famosos "mitos" ou "preconceitos" relacionados a determinados assuntos. A saúde masculina e a sexualidade, por exemplo, têm sido fontes de inúmeros preconceitos e fantasias que, ao invés de ajudar as pessoas, criam obstáculos para o exercício saudável da sexualidade. “O terreno sexual é um dos mais férteis para este tipo de invenção popular, pois o sexo tem um imenso poder de atração sobre as pessoas. Mas devemos ser cautelosos, pois se nos apegarmos às crenças, sem buscar a verdade ou o cunho científico de uma determinada informação, corremos o risco de conviver com muito sofrimento desnecessariamente”, afirma o urologista Ricardo de La Roca.

Em mais de duas décadas exercendo a medicina, o urologista conta que já teve que desmistificar muitas crenças dos pacientes em seu consultório. “A consulta médica, às vezes, se transforma numa aula de anatomia, pois, em alguns casos, o paciente necessita mais de informação correta do que de medicamentos. Apesar de uma aparente intimidade com seu pênis, chegando mesmo a batizá-lo com nomes próprios e apelidos, a maioria dos homens desconhece o mais básico sobre o seu funcionamento”, diz o médico. Na entrevista a seguir, o especialista em Urologia, que também é assistente estrangeiro da Faculdade de Medicina de Paris V – Hospital de la Pitié-Salpetrière, faz alguns esclarecimentos sobre algumas dúvidas masculinas a respeito do pênis.

- O pênis pode quebrar?

Ricardo de La Roca - Pode, apesar de não ter osso. O grau de incidência de fraturas penianas é pequeno e ocorre sempre quando ele está ereto. Movimentos bruscos, principalmente, durante o ato sexual são os principais responsáveis. A dor é imediata, aguda e intensa, seguida de hematoma e inchaço. O paciente deve se submeter a uma cirurgia de emergência para remover os coágulos e "costurar" a ruptura provocada no corpo cavernoso do pênis. Em média, exige-se abstinência sexual por um mês. Se a cirurgia não for feita em tempo há risco de impotência ou de que o órgão sexual fique torto.

- Pênis torto é sinal de algum problema?

Ricardo de La Roca - Não, se essa curvatura for de até 30 graus, para o lado direito ou esquerdo. O problema é quando a curva é mais acentuada e ocorre no meio do membro, por meio de um defeito de nascimento - chamado pênis curvo-congênito - ou quando, na fase adulta, aparece a doença de Peyronie, uma inflamação da túnica que recobre o corpo cavernoso que atinge cerca de 10% dos brasileiros. No primeiro caso, recomenda-se a realização de uma cirurgia para correção, no segundo, o tratamento clinico pode melhorar ou estabilizar a doença, sendo a cirurgia uma indicação em último caso.

- Em que idade o pênis pára de crescer?

Ricardo de La Roca - O órgão sexual masculino geralmente acompanha o desenvolvimento das demais partes do corpo, atingindo o pico do crescimento entre 13 e 17 anos. Mas não é incomum que continue crescendo até o começo da fase adulta, entre 21 e 23 anos. É importante esclarecer que a maioria dos homens que procura um urologista com queixas de ter o pênis pequeno possui medidas consideradas normais para um adulto. O tamanho do pênis é extremamente variável de homem para homem e isso nada tem a ver com a constituição física do indivíduo. O tamanho médio do pênis, em adultos, varia de seis a doze centímetros quando flácido, e, de treze a dezoito centímetros de comprimento, quando em ereção.

- É possível aumentar o tamanho do pênis por meio de alguma técnica conhecida pela Medicina?

Ricardo de La Roca - “Aumente seu pênis de 2 a 5 cm naturalmente”.... “Resolva problemas de impotência sexual, método 100% natural e sem o uso de medicamentos ou aparelhos”... “Aumento de pênis em comprimento e engrossamento”... Pura ilusão! Apesar das inúmeras “possibilidades de tratamento” que nos são apresentadas, hoje, a melhor forma de tratar a impotência masculina é confiar o tratamento da doença a um profissional credenciado, e não fazer “um aumento do pênis”. As formas para tratar as disfunções sexuais masculinas são ensinadas nas faculdades de medicina, são conhecidas do mundo acadêmico, não são atributos de um ou de outro profissional ou de um único produto disponível no mercado. Até agora não foram apresentados métodos cientificamente aceitos que comprovem aumento do pênis. Nenhum procedimento tem se mostrado eficaz. A maioria das "técnicas revolucionárias" pode trazer complicações, como a impotência e o surgimento de infecções. É importante esclarecer que a cirurgia para aumento do pênis, em nosso país, ainda é considerada um procedimento experimental, de acordo com a Resolução N° 1478/97 do Conselho Federal de Medicina. Assim sendo, só pode ser realizada de acordo com as normas da Resolução N° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos.

- Perder peso ajuda a aumentar o tamanho do pênis? E engordar pode causar uma diminuição no tamanho do pênis?

Ricardo de La Roca - A obesidade faz com que o aumento do tecido adiposo, na região pubiana, esconda uma certa porção do pênis, dando a impressão de que o mesmo é menor. A perda de peso faz com que o órgão fique mais exposto porque aumenta seu comprimento visível. Quando o homem está obeso, o pênis fica "embutido" no excesso de gordura que se forma na região pubiana.

- O pênis enruga com a idade?

Ricardo de La Roca – Não. O que enruga é a pele que o recobre, como qualquer outra parte do corpo, geralmente, a partir dos 75 anos.

- Até quando um homem consegue ter ereções e manter relações sexuais?

Ricardo de La Roca - Somente o preconceito faz com que acreditemos que as pessoas com mais de 60, 70 ou 80 anos percam o interesse e a capacidade de manter uma vida sexual ativa. O desejo não se modifica obrigatoriamente com a idade, embora seja esperada uma diminuição dos níveis de testosterona no sangue. No homem, os fatores emocionais estão mais envolvidos no desejo do que o simples estímulo hormonal. Isso explica a razão de homens de idade avançada apresentarem seu desejo sexual preservado, mesmo com diminuição da secreção de testosterona. O envelhecimento é um processo fisiológico normal e não uma doença. Está claro que quanto mais o indivíduo vive, mais sujeito está às diversas doenças conseqüentes ao desgaste natural dos órgãos e dos tecidos do organismo. Está claro, também, que o indivíduo que cuidou de preservar a sua saúde, ao longo dos anos, melhor enfrentará o processo do envelhecer. A abstenção do fumo e do álcool, a prática de exercícios físicos regulares, a manutenção de um peso adequado são medidas importantes. Assim como o corpo, a sexualidade precisa ser exercitada. A atividade sexual na velhice não é de forma alguma prejudicial ao organismo. Muito pelo contrário, a prática regular da atividade sexual é benéfica. Suas repercussões, tanto a nível físico, quanto emocional permitirão ao homem um envelhecer com melhores possibilidades.

- Homens que apresentam dificuldades no campo sexual, necessariamente, estão entrando na andropausa?

Ricardo de La Roca – Não devemos caracterizar ou estigmatizar esta fase da vida, nem deixar de reconhecer nos adultos jovens as alterações provenientes das alterações metabólicas fruto das tendências de comportamento impostas, e sim, oferecer a possibilidade de recuperação, aliando consciência de auto-estima e cuidados preventivos, como a melhor arma para a longevidade com saúde e bem estar. Uma condição clínica similar à andropausa, que ocorre em homens muito mais jovens, é, hoje, reconhecida e seu correto diagnóstico e tratamento se impõem pelos riscos diretos e indiretos de problemas cardíacos, endócrinos e urológicos. É a Síndrome Metabólica, onde o adulto jovem percebe alterações do seu comportamento sexual, como menor performance e ereções menores que acarretam em problemas psicológicos como insegurança, ansiedade, fobia, e, como num círculo, ejaculação precoce e finalmente impotência sexual. A Síndrome Metabólica traz, em meio a estas manifestações da ordem sexual, perigos maiores, invisíveis, que, a médio prazo, podem lesar outros sistemas.

- Por que, mesmo quando eretos, alguns pênis ficam com sobra de pele?

Ricardo de La Roca - Esse excesso de pele do prepúcio chamado de fimose não tem nenhuma função e pode facilitar infecções. Os médicos recomendam retirá-lo por meio de uma cirurgia, desde que a necessidade deste procedimento cirúrgico seja comprovada.

- O pênis tem algum odor característico?

Ricardo de La Roca – Não. Os problemas mais comuns relativos ao odor são conseqüências de fenômenos irritativos como hábitos higiênicos inadequados dos genitais – principalmente quando o paciente é portador de fimose – e excesso do prepúcio. Neste caso, há depósitos de restos de descamação celular, o esmegma, que promove a irritação. Ainda dentro desta causa está o uso de agentes irritativos para limpeza do pênis, sendo aconselhável o uso de produtos neutros para higiene desse local, como sabão neutro. Outras causas importantes para o surgimento de odores são as infecciosas, como um fungo chamado Cândida Albicans que pode ser sexualmente transmissível. Assim como os outros fungos, ele se aproveita do local quente e úmido existente entre a glande e o prepúcio. Se o homem sentir algum tipo de odor diferente deve consultar um especialista para obter o diagnóstico correto.

- Qual é a quantidade normal de esperma por ejaculação?

Ricardo de La Roca - Varia de 2ml a 5ml (no máximo, uma colher de chá), dependendo do período de abstinência sexual, da idade e da excitação do homem.

- Ejaculação com sangue é sinal de doença?

Ricardo de La Roca - A hemospermia - sangue no esperma ou ejaculação com sangue - acomete homens das mais variadas faixas etárias. Na maioria das vezes não apresenta gravidade e é uma condição relativamente comum. O fato de ocorrer sem maiores sintomas como dor ou ardor uretral preocupa o homem, que fica abalado com esta emissão sanguinolenta, interpretada como "câncer", a maior preocupação masculina relatada nas consultas. A ocorrência do sangue no esperma pode estar relacionada a processos infecciosos na próstata, na vesícula seminal, na uretra, à hipertensão arterial ou a fatores cuja causa não pode ser determinada. Há ainda outras origens, como a prática de coito interrompido, abstinência sexual prolongada, hemorragia pós-ereção quando se utiliza o aparelho de vácuo - para auxiliar nos casos de disfunção erétil - ou trauma da mucosa uretral. Algumas vezes, a hemospermia acontece porque o homem está tomando anticoagulantes ou usando anti-adesivos plaquetários, as populares drogas para “afinar o sangue”. Esses remédios costumam ser utilizados por pacientes que tiveram infarto do coração ou outros quadros vasculares. Nesses pacientes pode ocorrer um rompimento de um vaso sanguíneo, no momento da ejaculação. Para se fazer o diagnóstico correto, a consulta ao medico urologista é imprescindível. Ele irá solicitar um exame de urina e um espermograma para verificar se há presença de bactérias e até mesmo uma ultra-sonografia da próstata e das vesículas seminais para mais esclarecimentos.

SERVIÇO:
Clínica e Cirurgia Urológica Dr. Ricardo Felts de La Roca
Endereço: Alameda Lorena, 131. Conjuntos 85 e 87.
Jardim Paulista - São Paulo-SP
Telefone: (11) 3053-6960 / 3053-6961





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