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10/12/2007
Açúcar, adoçante ou puro: perguntas e respostas essenciais

Quando é recomendável substituir o açúcar pelo adoçante? Dentre os tipos de açúcares e adoçantes existentes, há produtos melhores, que devem ser priorizados na hora do consumo?

“O grande vilão da obesidade e das dietas não é o açúcar em si, mas o consumo excessivo de produtos calóricos. Prova disso é a grande epidemia de obesidade no mundo, com as pessoas usando adoçantes como nunca. O uso indiscriminado de adoçantes parece estar dando o aval para que as pessoas consumam mais alimentos e com eles, muito mais calorias. A saída é procurar entender um pouco mais sobre os alimentos que consumimos, para que possamos usufruir das possibilidades alimentares que dispomos hoje, como, por exemplo, o grande avanço que foi a descoberta dos adoçantes”, defende a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional. A seguir, a médica responde às perguntas mais comuns, coletadas ao longo dos anos, no seu consultório, sobre o uso de açúcares e adoçantes:

- Onde está o açúcar nos alimentos que consumimos?

Ellen Paiva – Quando dizemos açúcar, estamos nos referindo a uma forma muito específica de carboidrato, a sacarose. Ela se encontra no açúcar caseiro, refinado e cristal, no açúcar mascavo e orgânico e nos doces em geral. Nos alimentos naturais, encontramos a sacarose na cana de açúcar e na beterraba, que são as fontes de extração do açúcar, e, em algumas frutas como a laranja. É importante lembrar que o mel tem alta concentração de frutose e glicose, logo, não deixa de ser um tipo de açúcar. O açúcar, quando ingerido, é quebrado em seus dois componentes, glicose + frutose. Esses dois componentes, isoladamente, estão presentes em vários alimentos. A frutose está presente em todas as frutas e a glicose é a unidade formadora da maioria dos carboidratos, incluindo o amido do arroz, a batata, os pães, as massas em geral, a mandioca e o milho. O sabor doce característico é encontrado particularmente na glicose, na frutose e quando elas estão associadas, na sacarose.

- Qual a quantidade ideal de açúcar que deve ser ingerida por dia? E no caso de pessoas que estão fazendo dieta ou que são diabéticas?

Ellen Paiva – Não há uma recomendação ideal de açúcar nas dietas. Ele deve fazer parte das dietas compondo os 50% de carboidratos totais, que numa dieta de 1800 calorias representa 900 calorias ou 225 gramas de carboidratos totais, incluindo, aqui, o arroz, os pães, as massas, as frutas e os doces em geral, além é claro do açúcar de adição, aquele que usamos para adoçar nossos alimentos. Quando consideramos o peso da pessoa, isso significa comer cerca de 4,0g de carboidrato por kg de peso por dia. Isso não é muito, quando vemos que uma colher de arroz ou uma fatia de pão tem 12 gramas de carboidratos. Assim, para não ultrapassarmos as recomendações de carboidratos, podemos substituir a porção de açúcar pelos adoçantes e/ou reduzir o amido do arroz e as massas em geral, quando quisermos comer uma sobremesa. Quando estamos em dieta, devemos reduzir as calorias em geral e também os carboidratos. Devemos ter em mente que a maioria das sobremesas doces contém também uma alta percentagem de gorduras, como os sorvetes, chocolates e tortas doces, por isso seu valor calórico em gorduras é muitas vezes maior do que em carboidratos. No caso dos diabéticos tem ocorrido uma progressiva flexibilidade no consumo de carboidratos, inclusive com a possibilidade de comerem doces com açúcar. Entretanto, eles precisam saber que os carboidratos são os responsáveis pelas elevações das glicemias e todo acréscimo no consumo de carboidratos deve ser compensado com aumento na dose de insulina ou dos medicamentos utilizados pelo paciente.

- O diabético poderá, algum dia, consumir açúcar sem medo?

Ellen Paiva – O paciente com diabetes já tem alcançado muita vitórias no campo alimentar. Anteriormente, sua dieta era muito mais restritiva. Hoje, eles têm muitas opções adequadas e sem adição de açúcar, o que torna a dieta muito mais flexível. Com relação ao açúcar, o que precisamos é adequar a dose de insulina ou de medicamentos orais utilizados à quantidade de carboidrato ingerido e entender que se o diabético está acima do peso, a restrição ao consumo de carboidratos, em geral, e do açúcar, em particular, se deve muito mais ao sobrepeso e à obesidade do que à própria glicemia. As tecnologias que permitem a monitorização contínua da glicemia, tanto isoladamente, como associada às bombas de infusão de insulina tornaram possível uma liberdade ainda maior para o consumo de açúcar por parte do diabético. Nesses casos, o risco de aumento de peso devido ao aumento da dose da insulina ou de medicamentos orais ainda é o maior problema, principalmente nos diabéticos do tipo 2 ou não dependentes de insulina.

- Todo obeso será diabético? Magros e fanáticos por doces também correm o risco de desenvolver o diabetes?

Ellen Paiva – A obesidade, de uma maneira geral é um fator predisponente para a ocorrência do diabetes do tipo 2 ou não insulino-dependente, principalmente se a obesidade for aquela localizada no abdome. Além da obesidade, a susceptibilidade genética também confere um grande risco para a doença. Hoje, já conhecemos cerca de sete genes capazes de desencadear o diabetes. Logo, parece ser uma junção de fatores. Por isso mesmo é que alguns magros, ‘formigões’ ou loucos por doces jamais terão diabetes tipo 2, caso não tenham predisposição, principalmente porque além da genética favorável,eles também são magros.

- Qual o melhor açúcar para o consumo diário: mascavo, orgânico, refinado, cristalizado, light?

Ellen Paiva – Com relação ao conteúdo em sacarose não existe diferença entre o açúcar refinado, cristal, mascavo ou orgânico. O açúcar branco é o resultado de um processamento químico que retira da garapa a sacarose branca e adiciona produtos químicos como clarificantes, antiumectantes, precipitadores e conservantes. Os açúcares cristal e mascavo parecem ser mais saudáveis do que o refinado por não conterem adição de produtos químicos utilizados no refino. O açúcar mascavo contém proteínas, gordura, cálcio, fósforo, ferro, vitaminas B1, B2, niacina, vitamina C, sódio, potássio, magnésio, cobre e zinco, enquanto o açúcar refinado não contém nutrientes. Já o açúcar light tem o diferencial de ser menos calórico por se utilizar de um adoçante não calórico no seu preparo, na proporção de 50%. O açúcar orgânico é extraído da cana de açúcar em cujo plantio não são usados adubos, nem fertilizantes químicos. O processo de industrialização é livre de cal, enxofre, ácido fosfórico, folímetro e outros elementos adicionados ao produto refinado, assim também é a extração do açúcar cristal comum.

- É possível manter o consumo de açúcar mesmo estando de dieta?

Ellen Paiva – É possível sim, mas para isso, temos que reduzir muito a quantidade de alimentos, que já é reduzida nas dietas para emagrecer. Muitas pessoas que adoram doces fazem isso, trocam uma refeição pelo chocolate ou doces. Conseguem até emagrecer, mas correm o risco de se tornarem desnutridos. Quando suspendemos o consumo de açúcar nas dietas, todo o montante calórico pode ser destinado aos alimentos propriamente ditos, incluindo os que contêm carboidratos naturalmente, como o arroz, a batata, os pães, os cereais e as frutas. Um meio termo para esta situação é também possível, ou seja, reduzir o consumo de açúcar de adição, aquele que usamos para adoçar os cafés, sucos, chás e leites, utilizando os adoçantes em seu lugar. Outra possibilidade é reduzir as guloseimas doces que ingerimos durante a semana e os beliscos que fazemos entre as refeições, para que possamos nos permitir uma sobremesa nos finais de semana.

- Os fabricantes de alimentos são obrigados a informar a quantidade de açúcar dos alimentos nas embalagens?

Ellen Paiva – Não. Eles são obrigados a informar o conteúdo em carboidratos totais e não precisam especificar o tipo de carboidrato. Alguns informam quando não contém açúcar, como uma forma de promoção. Entretanto, os fabricantes são obrigados a descrever todos os componentes utilizados no preparo do alimento, e, nessa relação, podemos identificar a presença de sacarose, mas sem especificar a quantidade. Para isso, basta observar na parte inferior dos rótulos, uma descrição, geralmente em letras minúsculas, identificada como ingredientes.

- Existem pessoas que sofrem mais com a compulsão pelo açúcar, que costumamos apelidar de “formigas”?

Ellen Paiva – Existem pessoas com nítida preferência pelo sabor doce e que comem doces com compulsão, mas isso é mais comum com o chocolate. Entretanto, a compulsão alimentar característica do transtorno alimentar geralmente não escolhe alimentos ou sabores. O compulsivo come até o que ele nem aprecia.

- Vale a pena substituir o açúcar pelo mel?

Ellen Paiva – O mel é composto de 75% de frutose e glicose. Tem o mesmo efeito de se ingerir açúcar. Logo, deve ser utilizado com os mesmos cuidados e recomendações da sacarose.

- Quem, necessariamente, deve optar pelo uso do adoçante?

Ellen Paiva – As pessoas diabéticas se beneficiam muito com o uso de adoçantes. Além deles, aqueles que desejam perder peso ou até manter o peso, pois conseguem reduzir bastante as calorias ingeridas durante o dia com a troca do açúcar pelo adoçante. Quem está de dieta deve apenas ter o cuidado de não consumir alimentos em exagero com a falsa impressão de que por não conterem açúcar podem ser consumidos livremente.

- Bebês e crianças também podem fazer uso de adoçantes?

Ellen Paiva – Os adoçantes podem ser utilizados em crianças em situações especiais, como no caso de diabetes e obesidade. Nesses casos é necessário o acompanhamento médico. Não há contra-indicações formais ao uso de adoçantes na infância. No caso do primeiro ano de vida, não usamos açúcar na alimentação das crianças nessa faixa etária. Por isso, também não há necessidade da substituição pelos adoçantes.

- Podemos começar a usar o adoçante por conta própria ou apenas por recomendação médica?

Ellen Paiva – Não há necessidade de recomendação médica para o uso de adoçantes. Entretanto, para maior eficácia, no caso das dietas para redução de peso, é sempre bom contar com a orientação médica e/ou de um nutricionista.

- Dentre os tipos de adoçantes disponíveis no mercado, há os mais recomendados para o consumo ou os produtos se equivalem?

Ellen Paiva – As preferências individuais em relação ao sabor dos adoçantes são as principais características que norteiam a escolha do tipo de adoçante a ser utilizado. Não existem produtos melhores ou piores. Há pessoas que preferem o aspartame, outras que gostam mais do ciclamato e da sacarina e ainda outros que optam pela sucralose, pela estévia ou pelo acesulfame. De uma maneira geral, todos são praticamente isentos de calorias, têm um poder adoçante muito superior ao açúcar e, desde que usados dentro das recomendações, não fazem mal à saúde, como insistem em propagar alguns comunicados veiculados pela internet, que apavoram os pacientes. Todas as semanas temos que tranqüilizar algum paciente e explicar que o aspartame não causa esclerose múltipla, Alzheimer, nem muito menos lúpus. As pessoas que usam adoçantes devem apenas observar para não consumi-los em excesso. Isso é pouco provável de ocorrer, uma vez que as doses máximas recomendadas dificilmente são ultrapassadas. Um estudo bem atual (2006) acompanhou cerca de 500.000 pessoas durante 5 anos e analisou a ingestão de aspartame e o aparecimento de câncer cerebral e sangüíneo. A conclusão foi de que não há relação entre o consumo de aspartame e estes tipos de câncer. O aspartame é contra indicado apenas nos casos de uma doença genética rara chamada fenilcetonúria.

- Há um limite máximo da quantidade de adoçante que pode ser consumida por dia?

Ellen Paiva – Sim, para cada adoçante há uma dose máxima recomendada, que geralmente é muito além da que usamos normalmente. De acordo com a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ingestão diária segura de aspartame para uma pessoa de 60 kg é de 2400 mg (40mg/kg de peso), o que equivaleria a cerca de 48 envelopes de 1g de adoçante, ou 10 gotas/kg/dia ou 4l de refrigerante dietético adoçado somente com aspartame. Essas quantidades extremas são naturalmente muito além do que ensinamos ao paciente que está seguindo uma dieta, principalmente em relação aos refrigerantes. Além dos adultos, as gestantes, as crianças e os diabéticos também podem consumir adoçantes, desde que sejam orientados por um médico.








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