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20/03/2006
Estudos indicam HDL-C como nova tendência para o tratamento do colesterol

Medicamentos à base de niacina são alternativa segura para a elevação consistente do bom colesterol, beneficiando pacientes com alto risco cardiovascular

Os idosos devem dar mais atenção ao nível do HDL-C, o “bom colesterol”. É o que revela uma análise do estudo Prosper (The Prospective Study of Pravastatin in the Elderly at Risk) divulgada na edição de novembro da revista Circulation, da American Heart Association. Segundo a análise, o nível de HDL-C revelou-se mais influente na prevenção de eventos cardiovasculares graves em pessoas com mais de 70 anos do que o de LDL-C, ou "mau colesterol". O médico cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de São Paulo, Dr. Jairo Lins Borges, explica que “cerca de 80% dos infartos acontecem entre pessoas com mais de 60 anos, segundo dados do estudo PROCAM (Prospective Cardiovascular Mhnster study), então há que se preocupar com a elevação das taxas de HDL em pacientes nessa faixa etária, para se evitar eventos cardiovasculares como infarto do miocárdio, derrame cerebral ou morte súbita”.

Esta é uma das pesquisas que nos últimos anos tem indicado uma nova tendência para os estudos e tratamentos do colesterol. Outros estudos, como o HPS (Heart Protection Study Collaborative Group, publicado na Lancet em 2002), o PPP (Prospective Pravastatin Pooling Project Investigators Group, Circulation, 2000) e o WOSCOPS (West of Scotland Coronary Prevention Study Group, Circulation, 1998) mostraram a relação entre níveis baixos de HDL-C e o aumento de risco coronário. As pesquisas nessa área são desenvolvidas desde a década de 1970, sempre com resultados relevantes sobre o problema. E os dados recentes mostram que as atenções devem se voltar ainda mais para o bom colesterol.

O colesterol é usado na formação de membranas celulares, além de ser essencial para o funcionamento do cérebro e hormônios. Ele é formado por duas frações básicas: o LDL-C e o HDL-C. O LDL-C (sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade) é responsável pelo transporte do colesterol. "Contudo, em altos níveis, o colesterol se oxida e é depositado nas paredes das artérias, formando 'placas de aterosclerose' que podem se romper e causar o entupimento de artérias", afirma Dr. Jairo. A função do HDL-C (sigla em inglês para lipoproteína de alta densidade) é retirar o excesso de colesterol das células para que o fígado possa eliminá-lo.

Desde 1985, quando os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina, Michael S. Brown e Joseph Goldstein mostraram a importância do combate ao mau colesterol, o foco do tratamento era a diminuição do LDL-C. As pesquisas recentes revelam, no entanto, uma necessidade crescente em aumentar as taxas de HDL, visto que, para cada aumento de um miligrama de HDL-C, o risco de desenvolver doenças cardiovasculares cai de 2% a 3%. E os maiores beneficiados com tratamentos que visam elevar o HDL-C são aqueles com maior risco cardiovascular. O efeito protetor do bom colesterol é ainda mais eficiente em pacientes com taxas baixas de HDL-C e diabéticos, de acordo com os estudos Helsinki, publicado no The Journal of the American Medical Association em 1988, e VI-HAT (Veterans Affairs High-density lipoprotein Intervention Trial), do Archives of Internal Medicine de 2002; respectivamente.

Tendo em vista os resultados desses estudos, parte da classe médica já vem mudando sua prática clínica, objetivando o aumento das taxas de HDL-C, além de insistir na diminuição do LDL-C. Os melhores resultados são conseguidos com medicamentos à base de niacina (ácido nicótico) de liberação programada. É o caso do Metri, produzido pela Libbs Farmacêutica, que eleva os níveis de HDL-C em cerca de 30% (duas a três vezes mais que as estatinas e fibratos), diminui as taxas de LDL-C em 17%, aumenta o diâmetro das LDL-C pequenas e densas (tipo de mau colesterol ainda mais perigoso do que a LDL-C convencional) e reduz os triglicérides em até 50% (em excesso, a substância é tóxica para o fígado e pâncreas). Ele foi lançado recentemente e é considerado por especialistas o medicamento mais versátil para o tratamento das dislipidemias, ou seja, alterações na concentração de colesterol no sangue. Esse tipo de medicamento pode ser associado ao tratamento tradicional, que combina exercícios físicos, dieta rica em ácidos graxos monoinsaturados (como o azeite de oliva) e medicamentos como estatinas e resinas, que combatem o excesso do mau colesterol. “A combinação de remédios permite o aproveitamento de modos diferentes e complementares de se controlar o colesterol, tornando o tratamento mais eficiente, já que as alterações do colesterol são variadas e nenhum remédio para tratar colesterol consegue abranger todas elas”, afirma o Dr. Jairo Borges.

Dessa forma, surgem novas possibilidades no combate a doenças cardiovasculares, mas os mesmos cuidados ainda são válidos para evitá-las, principalmente para aqueles com histórico do problema na família, sedentários, com alimentação rica em gordura, fumantes e diabéticos. A prevenção continua sendo praticar regularmente exercícios (três a seis vezes por semana), perder a cintura (que representa gordura abdominal), parar de fumar e ter uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos, azeite de oliva e peixes.

Dicas de como aumentar o bom colesterol

Ø Faça exercícios aeróbicos regulares, como caminhada, corrida, ciclismo ou natação, entre outros, de três a quatro vezes por semana. É necessário gastar cerca de 1,2 mil calorias semanalmente. A duração do exercício, e não a intensidade, confere o maior benefício;

Ø Se você está acima do peso, e em especial tem gordura abdominal, emagrecer também ajudará a elevar os níveis de HDL;

Ø Largue o cigarro. Quem pára de fumar pode aumentar o HDL de 15% a 20%;

Ø Adote uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos, óleo de oliva e peixes. A ingestão desses alimentos, assim como o consumo menor de carboidratos refinados, está fortemente ligada a altos níveis de HDL;

Ø Diversos medicamentos podem ajudar a elevar o HDL, mas somente o seu médico está apto a escolher o medicamento ideal a ser utilizado.





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