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12/09/2008
A voz revela a idade?

A voz é um som produzido pela vibração das pregas vocais. A produção da voz se inicia com o ar vindo dos pulmões e que passa por entre as pregas vocais e provoca uma vibração, gerando um som que sofre alterações influenciadas por estruturas e cavidades, como a boca, o nariz, a garganta, os dentes, os lábios e a língua. Dessa forma, a voz é o resultado de forças aéreas e das ações musculares de estruturas e, assim como o restante das atividades do nosso corpo, sofre as transformações naturais do processo de envelhecimento.

A voz humana possui vários ciclos, explica a fonoaudióloga Ana Elisa Moreira Ferreira. “De 3 a 6 anos de idade, tanto os meninos como as meninas têm uma voz com tom mais agudo e bastante semelhante. A partir dos 13 anos, os adolescentes passam por mudanças desse som: as garotas ficam com a voz aguda (voz fina) mas não tão aguda quanto na infância, e os garotos, adquirem um tom mais grave (voz grossa). É o chamado período de muda vocal: uma transição entre a voz da fase infantil e a da adulta e de grande transformação da voz.

O período de melhor desempenho vocal está entre os 25 e os 40 anos de idade, mas pode haver exceções quando se possui boa saúde física e psicológica, além de fatores genéticos, sociais e ambientais. Depois dos 45 anos, as mulheres, por conta da diminuição dos hormônios, vão modificando o tom da voz, muitas vezes ficando mais grave.

À medida em que a idade avança, surgem modificações no organismo. Essas transformações fazem parte do processo de envelhecimento - o que muitas vezes é visto como algo pejorativo, depreciativo - mas é natural a todas as pessoas e organismos vivos. Isso também ocorre com a voz humana, dizemos que ela “envelhece” por influência da diminuição da flexibilidade muscular e articulatórias das estruturas do nosso aparelho fonador, atrofia da musculatura laríngea, alterações hormonais, como explica a fonoaudióloga.

A voz revela a idade

A voz é reveladora da personalidade humana, das emoções sentidas, da formação sócio-cultural. É comum ouvirmos “Hoje tal pessoa não está boa! Tá com uma voz!”. Pelas mudanças naturais que o organismo passa, ela também revela a idade e mesmo que se pareça mais jovem e que o corpo esteja em boa forma, ao emitir sua voz, o falante conta sobre si muito mais do que ele próprio imagina.

Podemos cuidar do corpo - mantendo-o saudável, com ginástica, alimentação e também modelado com lipoaspiração e plástica – e da voz, com exercícios para deixá-la saudável, condizente com nossas necessidades profissionais e sociais.

A voz é um recurso importante da comunicação oral e que faz parte de como o indivíduo se insere na sociedade. Ela transmite uma atitude vocal social, ao se transformar a cada intenção e emoção, e se adapta às necessidades profissionais e ao status social.

Com a maior longevidade da população, mais tempo as pessoas ficam ativas e no mercado de trabalho. Hoje se faz necessário que a voz também acompanhe essa longevidade. O envelhecimento é inevitável, mas pode-se trazer bem-estar para o uso da voz com exercícios e orientações. Profissionais que ocupam cargos de liderança, por exemplo, geralmente têm uma voz e fala firmes, que transmitem a segurança que o cargo requer. Com o envelhecimento pode surgir perda da potência e da energia da voz e cansaço ao falar. Com orientação fonoaudiológica o profissional pode aprender a aproveitar melhor seus recursos vocais e manter-se com conforto durante a comunicação.

É importante que a voz combine com o indivíduo: com suas emoções, intenções, profissão, idade, cultura. Não devemos tentar mascarar a idade buscando uma voz jovem, que acaba por não combinar com todas as outras características. Mas devemos sempre buscar uma voz saudável, confortável, que atenda as necessidades comunicativas sociais e profissionais, independentemente do envelhecimento natural.

Muitos falantes aparentam mais idade do que possuem não por conta do envelhecimento natural, mas pelos maus tratos com a voz. São aqueles que falam forçando o seu aparelho fonador e o fazem constantemente em ambientes contra-indicados para a voz (barulhentos ou com ar condicionado muito frio, por exemplo). Estes falantes não se dão conta de que utilizam inadequadamente a voz. Principalmente, para aqueles que utilizam de sua voz como instrumento de trabalho, falando o tempo todo, que tomam bebidas alcoólicas em excesso e têm dieta alimentar que propicia o aumento da acidez do estômago.

Pode-se manter a voz sempre saudável e com energia para as atividades de comunicação por meio de exercícios apropriados. Como os exercícios são distintos para cada tipo de individuo, pois cada um tem seu biofísico e sua dinâmica vocal, é necessário procurar orientação com um fonoaudiólogo.

Para evitar desgaste vocal e ter uma voz sempre saudável, Ana Elisa Moreira Ferreira dá algumas dicas:

- Descansar e dormir bem - a voz reflete o cansaço físico e a falta de ânimo;
- Beber muito líquido - principalmente água - hidratar as pregas vocais é fundamental e evita o ressecamento das mesmas. Com a hidratação, as pregas vocais vibram livremente;
- Manter a voz sempre no seu tom natural, sem esforço ao falar;
- Manter sempre uma boa postura corporal;
- Poupar a voz - durantes crises alérgicas e estados gripais, principalmente;
- Procurar auxílio médico e fonoaudiológico - se observar tosses, pigarros e alterações na voz que perdurem mais de duas semanas ou sempre que precisar aprimorar sua voz;
- Comer maçã - esta fruta tem propriedades adstringentes, limpando o trato vocal até os pulmões, e favorece uma voz mais saudável.

O que deve se evitar:

- comer muito chocolate ou tomar leite antes de falar - esses alimentos deixam a saliva mais viscosa, o que pode levar à vontade de pigarrear.
- pigarrear - o pigarro pode machucar as cordas vocais;
- choques térmicos – alimentos e bebidas muito gelados e também os muito quentes;
- roupas apertadas que atrapalham a respiração, pois uma alteração na respiração leva a uma alteração na produção da voz.
- fumo, álcool e drogas
- gritar e falar em forte intensidade.

Serviço:

Ana Elisa Moreira Ferreira – Fonoaudióloga, representante da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e Diretora da Univoz





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