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06/05/2009
Hiperatividade ou déficit de atenção?

Oi, Maria! Eu estava pensando... você que é feliz. Tem uma filha que não dá trabalho. Sou chamada toda semana na Escola. O Pedrinho não pára, parece que tem formiga na cadeira, e em casa também não pára. Mas isso ele puxou o pai, que não pára um minuto.

Que nada, Joana! A Aninha vive no mundo da lua! A Escola reclama muito. A professora diz que se entra uma borboleta pela janela, ela esquece da aula, da matéria, e até voltar!...

Maria e Joana, mães de Ana e Pedro, aguardavam seus filhos na porta da Escola e mantiveram o diálogo acima, achando que falavam de comportamentos opostos. Mal sabiam que os pequenos possuem o mesmo distúrbio, só que com características diferentes.

Ana e Pedro são crianças em idade escolar, pertencem à estatística de 3 a 7% de portadores do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDA/H) - alteração estudada há mais de 100 anos.

O TDA/H traz em sua vasta literatura diversas vertentes para suas causas, tais como:

· Mães fumantes, usuárias de cafeína e drogas durante o período da gestação;

· Mães que apresentam depressão no período gestacional;

· Gêmeos monozigóticos (sendo um, geralmente, hiperativo);

· Filho hiperativo, fruto de pais também hiperativos.

Maria e Joana achavam estar falando de situações opostas, pois o TDA/H insere-se em 03 tipos:

· Tipo Hiperativo / Impulsivo - mais comum em meninos

· Tipo Desatento - mais comum em meninas

· Tipo Combinado - com características de ambos, ou que podem vir no lugar de outras.

Para diagnosticar é preciso haver pelo menos 06 das características definidas para cada tipo, estarem presentes antes dos 07 anos e não se limitarem a uma única situação. Sua identificação, na maioria das vezes, ocorre na Escola, já que os pais, quando percebem alterações, se opõem e afirmam que os filhos são inquietos, desligados ou mesmo que faz parte da infância serem assim.

A Escola abarca uma das posições mais difíceis neste quadro: crianças com TDA/H são capazes de aprender, mas sem um bom desempenho escolar, possuem inteligência média, ou acima dela, só que, atrelada a distúrbios de comportamento, funções do Sistema Nervoso Central são abaladas.

As conseqüências destes momentos da criança envolvem frustração, labilidade de humor, evasão escolar e dificuldades de relacionamento. Com adolescentes e adultos, não trabalhados na infância, há risco de envolvimento com drogas e instabilidades em geral (no campo afetivo e profissional).

O trabalho multidisciplinar, envolvendo Escola-Família-Medicina-Terapias, vem surtindo bons resultados, principalmente à criança. E este sugere ao professor um repertório de intervenções; à família, estratégias comportamentais; à medicina, a prescrição medicamentosa com acompanhamento; e às terapias, avaliações e um todo trabalho de apoio, à criança e à família.

Torna-se fundamental que educadores se apropriem do histórico, genética e convivência com estas crianças, para, seguramente, colocar aos pais a hipótese levantada e sugerir um encaminhamento ao Neurologista (só ele pode dar o diagnóstico do TDA/H). E estes passarem, conscientemente, a notar alterações comportamentais do filho, indo buscar auxílio médico, sem preconceitos.

Por outro lado, hoje se sabe que o tratamento para o TDA/H não se encerra no consultório do Neuro, pois há todo um contexto emocional envolvido. Por isso, muitos Neurologistas vêm estabelecendo uma boa parceria com Neuropsicólogos.

Supondo ser a Escola (do início do texto) apta a abordar o TDA/H com pais, no momento em que buscam o Neuro, este solicitará uma Avaliação Neuropsicológica (ANP) e explicará:

Com a ANP iremos confirmar se as alterações de Pedro se remetem ao foco atencional. Apenas o Neuropsicólogo pode nos informar. Não é uma avaliação extensa, mas detalhada. Com os resultados, poderei prescrever uma medicação. Provavelmente iniciaremos com um medicamento, que não custa caro, Ritalina©. No retorno, peço que os Srs. o tragam, explicarei a todos a importância de tomar corretamente o remédio. Fiquem tranqüilos, vamos controlar esta hiperatividade, mas para isso temos que trabalhar juntos.

Certos de que a ANP é apenas uma etapa no tratamento do TDA/H de Pedrinho, os pais buscam o Neuropsicólogo, de onde vem a informação de que a mesma não se limitada à aplicação de testes; comportamentos e manifestações emocionais da criança frente à realização das tarefas são observados. Os testes não se restringem ao aspecto atencional; são avaliadas todas as Funções Neuropsicológicas, para então, confirmar-se - ou não - a hipótese apontada por médico e escola.

Desta forma, todo o período de identificação, contatos, encaminhamentos, avaliação e tratamento do TDA/H tendem a transcorrer com facilidade e sem traumas.

Para tal, é importante o conhecimento do TDA/H por todos os profissionais aos quais a família irá recorrer: a segurança da Escola ao levantar a Hipótese, o diálogo claro e franco do Neurologista e a precisão da ANP, irão, facilitar a busca pelo tratamento.

Diante do que foi apresentado, muitos pais encontram resistência em levar o processo até o fim, por julgarem ser mais utópico do que real contatos e esclarecimentos rápidos e precisos.

Serviço:

Por Dra. Valesca Souza, que é psicóloga e tem especialização em Neuropsicologia.

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