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27/12/2010
Como proceder quando nos deparamos com acidentes?

Deparou-se com o acidentado? Mantenha a calma, chame o resgate e faça a coisa certa em cada caso

Fatos relevantes:

- De 2007 a 2008 houve um aumento de 66% no índice de mortes no trânsito do Brasil de pessoas da faixa etária de 40 a 59 anos. Com a Lei Seca (2008), alguns estados apresentaram redução de até 30% no número de mortes;

- Entre 2000 e 2007, o número de mortes vítimas entre os motociclistas foi multiplicado por 3,2, passando de 2.492 para 8.118;

- Foram cerca de 120 mortes pelas enchentes em Santa Catarina em dezembro de 2009 e 40 mortes por soterramento em Angra dos Reis (RJ);

- Atualmente, o trauma é a principal causa de morte até os 40 anos, sendo que, no Brasil, a cada ano, cerca de 130 mil pessoas morrem e outras 450 mil ficam com sequelas graves.

Acidentes acontecem. São imprevisíveis, certo? Não necessariamente. Há muitos acidentes que só acontecem por imperícia ou desatenção das partes envolvidas, ou porque regras como as de trânsito não foram estritamente seguidas, por exemplo. Há outros de proporções maiores, causados por problemas estruturais de um país como, por exemplo, a ocupação de encostas e leitos de rios nas grandes cidades, consideradas áreas de risco. Há ainda tragédias naturais, como tsunamis ou vulcões em erupção. Em todos os casos, a tecnologia existente e/ou campanhas educativas possibilitam prever e evitar as perdas humanas.

Mas, se o evitável aconteceu, é preciso tomar algumas decisões e agir. Uma dúvida muito comum é o que fazer caso você se depare com um acidente. Quais as atitudes que devem ou não ser tomadas para não prejudicar a vítima e como assegurar que o acidentado chegue ao atendimento especializado com vida?

De acordo com a Dra. Jeanne Darc Correa, especialista em trauma do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, a chave para o sucesso do primeiro socorro prestado à vítima é manter a calma para controlar a situação prevenindo perigos mortais. "A manutenção da calma é essencial para um socorro adequado. O desespero só vai gerar ainda mais nervosismo da vítima e pode provocar novos acidentes. O socorrista deve agir com tranquilidade, mantendo a vítima segura e controlar as pessoas ao redor. Para isso, deve-se agir como um líder da situação e delegar funções. Tudo deve ser feito para evitar atraso na solicitação de resgate", comenta.

O ferido deve ser movido do local somente quando estritamente necessário: se estiver em uma estrada ou próximo ao fogo etc. Quando em via de trânsito, deve-se colocar o triângulo de sinalização em local bem visível. "É muito importante nunca deixar a vítima sozinha e, imediatamente, chamar o resgate ou pedir para que um terceiro faça isso", comenta a médica. No Brasil o serviço de resgate (ou pré-hospitalar) é prestado pelo Corpo de Bombeiros (193) e pelo SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (192).

No caso de parada respiratória, é preciso desobstruir a via aérea e praticar manobras de ressucitação. Além disso, quando necessário, deve-se estancar hemorragias comprimindo os ferimentos, proteger a vítima do frio e mantê-la em repouso e aliviar a dor. "Na maioria das vezes, exceto em casos de trauma com suspeita de fraturas de coluna, deve-se colocar o paciente em posição lateral de segurança, virando o corpo da vítima de lado e manter o pescoço estendido", explica a Dra. Jeanne.

Ao ligar para o resgate, algumas informações podem ser solicitadas

- como foi o acidente?
- a vítima está consciente e respirando?
- quantas vítimas são?
- qual o local? Etc.

Com base nas respostas a essas perguntas, a unidade correta é acionada (ambulância simples ou UTI, helicóptero, moto etc.). Ao mesmo tempo, a central de atendimento deixa os hospitais avisados sobre a chegada da vítima.

No momento do atendimento pelo resgate no local, são passadas novas informações sobre o estado da vítima para a central. Esses dados levarão o médico do controle a ordenar ao resgate o melhor local para atender a vítima. O hospital de destino é então avisado da chegada do paciente e a equipe de emergência do Pronto-Socorro é acionada.


Em casos específicos, o que fazer?

Choque elétrico: desligue o aparelho; empurre a vítima para longe da fonte de eletricidade com objeto seco não condutor (cabo de vassoura, tábua, corda seca, cadeira de madeira ou bastão de borracha); se houver parada cardiorrespiratória, aplique a ressucitação; cubra queimaduras com pano limpo; deite a vítima de costas (consciente) e de lado (inconsciente); cubra e induza a pessoa manter a calma; e procure ajuda médica.

Corpo estranho:

- no ouvido - não tente retirar os objetos profundamente introduzidos nem coloque nenhum instrumento no canal auditivo. Não bata na cabeça para que o objeto saia, a não ser que se trate de um inseto vivo. Procure ajuda médica.

- nos olhos - não deixe a vítima apertar ou esfregar os olhos, cubra com gaze úmida e procure um médico. Nunca tente retirar o objeto do olho e, se não conseguir fechar, coloque um copo para proteger.

- no nariz - oriente a vítima a respirar pela boca e assoar o nariz. Não introduza instrumento para retirar e procure auxílio médico.

Outras situações

- asfixia - Caso o corpo estranho (objetos, alimentos etc.) seja aspirado para as vias aéreas e obstrua a respiração, são necessárias manobras específicas, pois geralmente não há tempo de levar a vítima ao médico, devendo o problema ser resolvido pelo socorrista. Em adultos, fique em pé, atrás da vítima e a abrace pela cintura. Coloque a mão fechada acima do umbigo, agarre o pulso contra a mão e empurre para cima quatro vezes. Se for um bebê, segure-o apoiado nos braços com a cabeça mais baixa que o corpo e a barriga para baixo. Bata nas costas com a palma das mãos por cinco vezes para que o objeto saia. Se permanecer alojado, vire o bebê ao contrário, de barriga para cima, e aplique cinco compressões no tórax. Continue esse ciclo até que objeto saia, ou até que chegue o resgate.

- ataque cardíaco - chamar auxílio médico, manter o paciente calmo, aquecido, com as roupas frouxas e, se houver parada cardíaca, realizar manobras de ressucitação.

Há dois tipos de manobras de ressucitação: em caso de parada respiratória, deve-se ter a certeza de que a pessoa não está respirando e que não haja objetos na boca (dentaduras, alimentos, balas etc.). Então, tampe as narinas e coloque a boca sobre a boca da vítima de modo a selar. Em seguida, assopre ar para dentro de maneira que o tórax se expanda.

Se houver parada cardíaca, certifique-se que a vítima não tenha batimento cardíaco (sem pulso). Então, coloque as mãos uma sobre a outra no final do esterno (osso do tórax) e aplique uma força para baixo, cerca de 30 vezes, contando em voz alta. Volte a medir o pulso, caso ainda não haja batimento, repita até o resgate chegar. Se houver parada cardíaca e respiratória ao mesmo tempo, faça duas respirações boca a boca seguidas de 30 massagens cardíacas, sucessivamente, até a chegada do resgate.

- fraturas e entorses - colocar uma tala no membro e não tentar alinhá-lo. A tala deve ser improvisada com revistas dobradas ou pedaço de madeira.

- queimadura - se a roupa da pessoa estiver em chamas, não a deixe correr, pois essa atitude tende a fazer com que as chamas aumentem. Peça para que ela se deite e role no chão ou abafe com panos ou um cobertor. Nunca toque na ferida! Nem fure bolhas ou passe pomadas. Não cubra com algodão, nem retire tecidos da roupa grudados na pele. Lave o ferimento com água e feche com gaze. Em seguida, leve a vítima ao médico.

- sangramento - deve-se comprimir a lesão com pano limpo e segurando firme, depois mantenha a compressão enfaixando a lesão. Se não houver fraturas do membro, pode elevá-lo para diminuir o sangramento.

Mandamentos do socorrista

- manter a calma;
- ordem de segurança (socorrista/equipe, transeunte/vítima);
- ligar para atendimento pré-hospitalar;
- verificar o risco no local;
- bom senso;
- espírito de liderança;
- distribuir tarefas e ocupar os transeuntes;
- evitar manobras intempestivas;
- se houver múltiplas vítimas, dar preferência para as mais graves;
- seja um socorrista, não tente ser herói!

O que nunca deve ser feito

- perder o controle da situação e entrar em pânico;
- remover o paciente do local do acidente (exceto em caso de risco no local);
- jogar substâncias nos ferimentos (pó de café, açúcar etc.);
- deixar acumular pessoas em torno da vítima;
- fazer movimentos bruscos na vítima;
- jogar água no rosto da vítima.





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