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27/03/2011
Atenção ao câncer de pâncreas

Apesar de pouco comentado, o câncer de pâncreas atingiu mais de nove mil pessoas em 2009, de acordo com os últimos dados do INCA. Os tumores mais comuns são do tipo adenocarcinoma (que se origina no tecido glandular), correspondendo a 90% dos casos diagnosticados. A maioria dos casos afeta o lado direito do órgão (a cabeça). As outras partes do pâncreas são corpo (centro) e cauda (lado esquerdo).

Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, em função do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo. No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes por essa doença.

Raro antes dos 30 anos, torna-se mais comum a partir dos 60 anos. Segundo a União Internacional Contra o Câncer (UICC), os casos da doença aumentam com o avanço da idade: de 10/100.000 habitantes entre 40 e 50 anos para 116/100.000 habitantes entre 80 e 85 anos. A incidência é mais significativa em homens.

Prevenção

Não fumar, evitar a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, além de adotar dieta balanceada, rica em frutas e vegetais, são medidas válidas para prevenir o câncer de pâncreas.

O tabaco aparece como principal fator de risco para o surgimento desse tipo de câncer. Quem faz uso do cigarro e seus derivados tem três vezes mais chances de desenvolver câncer de pâncreas do que os não fumantes. E quanto maior a quantidade e o tempo de consumo, maior o risco. A doença também está relacionada ao consumo excessivo de gordura, de carnes e de bebidas alcoólicas, e à exposição a compostos químicos, como solventes e petróleo, durante longo tempo.

Pessoas que sofrem de pancreatite crônica ou de diabetes melitus, submetidas a cirurgias de úlcera no estômago ou duodeno, que sofreram retirada da vesícula biliar, bem como com histórico familiar de câncer têm mais chances de desenvolver a doença. Esse grupo deve se submeter a exames médicos periódicos.

Sintomas

Os sintomas dependem da região onde está localizado o tumor. Os mais perceptíveis são perda de apetite e de peso, fraqueza, diarréia e tontura.

O tumor que atinge a cabeça do pâncreas provoca icterícia, doença que deixa a pele e os olhos amarelados (causada pela obstrução biliar). Quando o tumor avança, um alerta comum é a dor na região das costas, no início, de baixa intensidade, podendo ficar mais forte. Outro sintoma é o aumento do nível de glicose (açúcar) no sangue, causado pela deficiência na produção de insulina, principal função do pâncreas.

Diagnóstico

A localização do pâncreas, na cavidade mais profunda do abdômen, atrás de outros órgãos, prejudica a detecção do tumor, que em geral acontece tardiamente.

Entre os exames que podem ser solicitados estão os de sangue, fezes, urina, ultrassonografia abdominal, tomografia, ressonância nuclear de vias biliares e da região do pâncreas. A confirmação se dá por biópsia de tecido do órgão.

Tratamento

O câncer de pâncreas tem chances de cura se for descoberto na fase inicial. Nos casos onde a cirurgia é uma opção, o mais indicado é a retirada do tumor.

Há, ainda, os procedimentos de radioterapia e quimioterapia, associados ou não, que podem ser utilizados para redução do tamanho do tumor e alívio dos sintomas.

Para pacientes com metástases (disseminação do câncer para outras partes do corpo) a alternativa, como paliativo (apenas para alívio dos sintomas), é a colocação de endoprótese.

Segundo Dino Altmann, há um cenário importante hoje nessa patologia, principalmente em função do crescente uso e da melhor resolução de métodos avançados de imagens, como o ultrassom, também com sua variedade endoscópica, tomografia computadorizada e ressonância magnética. "Com esses exames, as lesões císticas do pâncreas são cada vez mais e melhor diagnosticadas e podem representar não somente cistos benignos, mas tumores císticos malignos do pâncreas. E o mais importante é que é necessário ao médico saber como interpretar estes cistos, não levando a intervenções desnecessárias e também diagnosticar um eventual tumor numa fase mais precoce e com maior possibilidade de êxito no tratamento", ressalta o cirurgião oncológico.

Os cistos pancreáticos podem ser decorrentes de trauma, infecções ou anomalias congênitas. Na grande maioria são assintomáticos, mas os pacientes podem também apresentar sintomas inespecíficos como dor abdominal, náuseas, vômitos, perda de peso ou icterícia. "A existência de sintomas pode muitas vezes estar associada à malignidade destes cistos. O diagnóstico precoce diminui as complicações e mortalidade peri-operatória e aumenta as chances de cura dos pacientes", destaca ele. Nos EUA, por exemplo, onde são realizadas anualmente 22 milhões de tomografias ao ano, existem dignosticados 3,7 milhões de cistos pancreáticos, com risco relativo/ano de 1 em 2000 exames. "Considerando-se os cistos maiores de 2,0 centímetros, 25% são tumores císticos malignos e sua incidência aumenta à medida que o cisto é maior. Os cistos menores que 2,0 centímetros raramente são malignos. Os cistos são mais e freqüentes e maiores com o avançar da idade", revela o especialista.

Segundo o especialista, alguns fatores podem provocar esse câncer, como o consumo excessivo de gordura, de carnes e de bebidas alcoólicas. Fumantes também possuem mais chances de desenvolver a doença do que os não fumantes. Dr. Altmann ressalta que as medidas preventivas são aquelas fundamentais para qualquer vida saudável, como adotar dieta balanceada com fibras, frutas e vegetais, evitar consumo de álcool, fumo e outras drogas, combater o sedentarismo e a obesidade. "Há também um grupo de risco com maior probabilidade de desenvolver a doença, como aqueles com histórico familiar de câncer, ou que já sofrem de pancreatite crônica ou de diabetes mellitus, ou que foram submetidos a cirurgias de úlcera no estômago ou duodeno ou sofreram retirada da vesícula biliar. Nesses casos, segundo ele, recomenda-se que esses grupos de risco realizem exames clínicos regularmente.

Cirurgia - De acordo com o cirurgião, a maior taxa de cura do câncer de pâncreas está relacionada ao seu diagnóstico em fase inicial. O tratamento é basicamente cirúrgico, seguido de quimioterapia e radioterapia em situações específicas. A cirurgia tem características distintas dependendo da localização do tumor no órgão. Quando o tumor se localiza na cabeça do pâncreas, porção que é coroada pelo duodeno, a operação é uma das mais complexas do aparelho digestivo.

Já os tumores da cauda do pâncreas, junto ao baço, são de mais fácil abordagem. A cirurgia pode ser realizada através da videocirurgia e também cirurgia robótica, dependendo das características do tumor e sua localização. "A radioterapia e a quimioterapia, associadas ou não, podem ser utilizadas também para a redução do tumor e alívio dos sintomas", explica. .

Estudo do CEA

Uma das principais inovações discutidas no Encontro de San Antonio baseou-se no estudo de uma proteína produzida por alguns tumores denominada antígeno carcino-embrionário (CEA), feito a partir do ultrassom endoscópico. "O ultrassom endoscópico é o método de eleição para avaliação destes cistos. É o exame com maior sensibilidade para a detecção de cistos menores que 4,0 centímetros, sendo que somente 25% dos cistos menores do que 2,0 centímetros são vistos na tomografia computadorizada. Além da melhor visualização, permite a coleta de material para citologia e avaliação do CEA no líquido obtido por aspiração com agulha fina", explica Altmann. "O estudo do CEA no líquido do cisto é o método mais sensível e específico para o diagnóstico de tumores císticos malignos", afirma. De acordo com o especialista, a citologia, análise de células contidas no líquido, embora bastante específica, é menos sensível.





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