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08/07/2011
Incontinência urinária atinge um terço da população feminina brasileira

Incontinência urinária é a perda involuntária da urina que, nas mulheres, pode ocorrer por esforço ou bexiga hiperativa. Dados estimam que metade das mulheres apresentam episódios de incontinência em algum momento de suas vidas, sendo que um terço convive regularmente com o problema. Apesar de ter uma alta resolutividade, a doença gera isolamento e vergonha. Fato comprovado por meio dos números: cerca de 50% a 70% das mulheres com incontinência não procuram seus médicos por não acreditarem que haja cura, têm o conceito de que este processo se associa ao processo natural de envelhecimento e, portanto aceitam-no passivamente, ou simplesmente se adaptam ao problema. Além disso, 30% das mulheres têm infecções urinárias de maneira repetida e 12% sofrem de dor pélvica recorrente.

Esses dados dão a dimensão do problema, que cresce a cada dia, no contexto de que a população vive cada vez mais, e procura fazê-lo com a máxima preservação da qualidade de vida, onde a perda involuntária e indesejada de urina, não têm espaço. De acordo com o urologista do Hospital 9 de Julho, Dr. Paulo Rodrigues, as causas mais freqüentes de perda de urina na mulher são causadas por esforço ou bexiga hiperativa. Quando por esforço, ocorre deslocamento e, até, queda da bexiga, que acaba sendo pressionada, causando a incontinência. Tudo deve ser considerado: pular corda, tossir, falar alto e tudo o que cause repetido esforço da região. É a chamada perda de urina por estresse. O médico explica que a nossa engenharia é mal desenhada para andarmos em duas pernas. “O fato de andarmos em duas pernas, faz com que ao longo da vida haja um desgaste do assoalho pélvico”, esclarece. A perda de urina é a manifestação clínica da “bexiga caída”. A ação da gravidade, gravidez e envelhecimento aumentam as chances de desenvolver o problema. “Aos 25 anos o índice é baixo, mas por volta dos 45 a 50 anos, a doença compromete até 30% das mulheres”, afirma Dr. Paulo.

Outro fator causador da incontinência urinária é a bexiga hiperativa, uma disfunção miccional, em que a bexiga não tem sua capacidade elástica preservada e possui espasmos involuntários. “O cérebro não consegue ter controle sobre a bexiga para permitir ou abortar a vontade de urinar. É uma situação que não é por bexiga caída, mas uma disfunção neurológica”, explica. Nesse caso, os motivos ocorrem por derrame, diabetes, envelhecimento, infecção urinária e cistite.

Felizmente, o problema tem cura e o tratamento pode ser feito por aplicação de Botox, e/ou reconstrução do assoalho pélvico com telas, reposicionando a região da uretra de forma permanente. Antigamente havia um alto índice de retorno dessas correções, de até 70% em 10 anos. Porém, hoje a cirurgia já alcança 98% dos casos de sucesso. “Explicar para mulher que o problema é frequente e faz parte do envelhecimento, mas que existem tratamentos, é mais do que um serviço, é acabar com preconceitos e isolamentos”, completa.

Urodinâmica define tratamento
O exame de urodinâmica é capaz de detectar as causas da incontinência urinária. O procedimento é realizado a partir de um catéter inserido dentro da bexiga para infundir soro, que simula o enchimento natural da bexiga. O equipamento compreende o estudo da micção, pressão interna e fluxo urinário. A avaliação do fluxo urinário observa o seu jato, por meio de um registro gráfico, que controla o volume de urina que passa pela uretra em uma unidade de tempo (ml/s). Os fluxos mais representativos e reproduzíveis são aqueles com volumes entre 200 e 400 ml. É avaliada a pressão ao longo da uretra e a pressão de fechamento uretral. O procedimento também é capaz de monitorar os músculos do assoalho pélvico, por meio da eletromiografia.

Dr. Paulo explica que o exame é muito simples, e enfatiza sua necessidade para verificar as causas da incontinência urinária. “A mulher dispõe de poucos minutos para o diagnóstico, para viver bem para o resto da vida”, conclui.

Veja mais sobre o assunto em nossas colunas de Prof. Dr. Mauricio Simões Abrão, com Saúde Feminina e Dr. Antonio Otero Gil, com Urologia e Saúde





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