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11/09/2011
Deu branco? Veja como melhorar o desempenho da memória

Pequenos esquecimentos, como o local que estacionamos o carro ou a última vez que utilizamos o cartão de crédito, são exemplos suficientes para darmos a devida importância à memória. Embora as falhas sejam mais relatadas a partir dos 60 anos, a sua queixa não é sinônimo da demência por doença de Alzheimer e há sempre o que fazer em momentos desesperadores de “brancos”.

Para Gislaine Gil, neuropsicóloga, coordenadora do Programa de Estímulo à Atenção e à Memória do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e autora do livro “Memória – tudo que você gostaria de saber, mas esqueceu de perguntar”, é muito importante ressaltar que a memória não é uma função isolada do cérebro e que o indivíduo não apresenta uma única memória, e sim várias, distribuídas em regiões cerebrais distintas.

Para que o indivíduo possa entender e melhorar o desempenho da memória, é importante que ele entenda sobre os diferentes tipos.

Os tipos de memória

Dependente do tempo: a memória dependente do tempo pode ser dividida em dois subtipos: a de curto prazo/memória de trabalho, limitada em seu armazenamento, restringindo as informações por um período de até poucos minutos para que a informação ainda possa ser manipulada; e a de longo prazo, esta é ilimitada e pode ser dividida em memória não-declarativa e declarativa.

A memória não-declarativa está envolvida em atividades que você desempenha no automático, como dirigir um carro e não perceber os detalhes do caminho percorrido. Mas, neste momento, lembre-se: por não estar prestando atenção, é até comum tomar uma trajetória errada pelo hábito (você pode fazer caminhos rotineiros como ir para o trabalho ao invés de ir ao shopping). Já a declarativa requer certo gasto de energia, pois precisamos parar e pensar para buscar a informação no cérebro. Quando alguém nos pergunta o que o chefe disse na reunião de ontem ou quando temos de recordar a que temperatura a água ferve. No primeiro exemplo, há uma subclassificação, que é a memória declarativa episódica, esta é a que mais falha ao longo da vida e é um dos primeiros sinais da demência por doença de Alzheimer.

Quando a frequência das falhas é alta, é necessário associar medicação e reabilitação neuropsicológica com estratégias desenhadas especificamente ao perfil cognitivo do individuo com a doença, uma vez que existe o que chamamos reserva cognitiva, que é o que o individuo acumulou de conhecimento ao longo da vida. Como este acúmulo é peculiar, se tivermos 100 pessoas com Alzheimer, todas terão perfil cognitivo diferente.

No segundo exemplo, sobre a temperatura da água, a pessoa usa a memória declarativa semântica, que continua a se desenvolver ligeiramente, mesmo com o aumento da idade e, nas pessoas com diagnóstico de demência por doença de Alzheimer, falha somente em estágios mais avançados da doença. Alguns exercícios podem ajudar a melhorá-la, como palavras cruzadas, que aumenta o conhecimento de fatos históricos e enriquece o vocabulário.

Memória de todo dia: lembrar-se de todas as tarefas realizadas durante o dia e os afazeres do próximo dia são sinais do funcionamento da memória de todo dia ou prospectiva, que pode ser dividida em evento e tempo. Um bom exemplo do primeiro caso é se alguém lhe pede para dar um recado a uma determinada pessoa, quando você a encontra (evento), imediatamente dá o recado. Já o segundo caso pode ser exemplificado da seguinte forma: você tem de pagar uma conta num momento específico do dia, portanto, o tempo (momento específico) deverá disparar uma recordação de algo a fazer.

Para melhorar o desempenho destas duas memórias, tente trabalhar com as duas situações simultaneamente. Se você tem de tomar um remédio em um tempo específico, por exemplo, às 21 horas (tempo) e sabe que, neste momento, estará assistindo à novela (evento), deixe os remédios na frente da televisão e não na pia do banheiro, onde você nem irá passar.

Outras dicas importantes são: durante o dia, por algumas vezes, você pode parar a atividade que está realizando e se perguntar: “O que eu estava fazendo antes desta tarefa?”. Também pode escrever na agenda todas as atividades realizadas e, antes de dormir, retomar de memória tudo que foi feito, com o maior número de detalhes possíveis. Para aumentar os detalhes, tente lembrar quem viu, em que lugares foi, o que comeu durante as refeições.

Procure inserir todas estas estratégias no seu cotidiano, mas se ainda sentir necessidade de aprender outras técnicas para desviar-se dos lapsos de memória no dia a dia, consulte um médico. Com o suporte de especialistas, é possível traçar estratégias para diminuir o estresse, melhorar o sono, saber sobre os perigos da interação medicamentosa, além de ter recomendações de dietas e exercícios físicos específicos, com a finalidade de melhorar o desempenho cognitivo.

Exercícios para a memória no momento da leitura

Concentração: quando estamos lendo um texto, muitas vezes temos de retomar o parágrafo seguinte, pois percebemos que estamos lendo, mas não estamos compreendendo. Neste momento, podemos analisar se não estamos com excesso de estímulos interferentes ao redor, pois estes podem prejudicar a concentração da leitura.

Ambiente tranquilo: para a leitura de um documento importante, dirija-se a um ambiente em que não há interferências (não há televisão ligada, o telefone não toca incessantemente e sem pessoas falando ao redor). Mantenha a postura correta na cadeira, para que o incômodo provocado pela má postura não o deixe irrequieto e atrapalhe a compreensão do texto.

Absorvendo a informação mais importante: use uma folha de papel em branco para tampar as linhas que você ainda não está lendo, ou seja, visualize uma linha por vez e tente marcar, com uma caneta marca texto, pelo menos duas palavras importantes de cada parágrafo e depois releia as palavras grifadas para absorver melhor a informação.

Veja mais sobre o assunto em nossa coluna de Neurologia e Saúde com Dr. Paulo Caramelli





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