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| de 05/02 a 12/02 |
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Dr. Mauricio Kurc
Otorrinolaringologia
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Verão
Muita diversão, muito sol, praia e calor. Mas também alguns probleminhas.
Um deles é a inflamação do ouvido, mais especificamente a otite externa ou “swimmers ears” (ouvido dos nadadores).
Tudo começa com um belo dia ensolarado de praia ou piscina. O calor é grande, vários mergulhos no mar. A noite surge uma coceirinha nos ouvidos, a gente coça, mexe, usa o cotonete, mas não tem jeito. Depois vem uma dorzinha, que vai aumentando, aumentando... Aí pode até tampar os ouvidos, aparecer uma secreção e conseqüentemente, diminuir a audição. Nessa altura a dor as vezes é insuportável, não dá nem para tocar nos ouvidos. Pode-se até sentir os ouvidos estão quentes e vermelhos. A vizinha recomenda umas gotas, mas não adianta. Melhor mesmo é ir ao pronto-socorro.
Essa é a história típica da otite externa. Infecção dos ouvidos muito comum no verão. Acomete o canal auditivo externo e é causado por bactérias ou fungos. É diferente da otite média, que acomete a orelha média, é mais comum em crianças, ocorre mais no inverno e muitas vezes vem depois de uma gripe ou viagem de avião.
O que acontece é o seguinte: com a umidade e o calor no canal auditivo externo, pode ocorrer o prurido, que é a coceira, e é normal. Quando se manipula muito, criam-se micro-escoriações no canal auditivo, interrompendo a proteção da pele, exercida dentre outros fatores por uma fina camada de cerume. Aliás, cerume não é sujeira. É uma secreção com pH bastante ácido e que contém enzimas e anticorpos. Essas propriedades conferem ao cerume ação bactericida e protetora do canal contra infecções.
Com a escoriação no canal, cria-se um caminho para a penetração de microorganismos como bactérias e fungos. A infecção gera inflamação, com resultante dor e inchaço. Este pode ser tal que chega a ocluir o canal auditivo externo. Pode haver também a formação de secreção purulenta que junto com o cerume ajuda a ocluir mais ainda o canal.
Ponto fundamental no tratamento é a limpeza do canal, feita preferencialmente por profissional treinado, para não causar mais lesão e dor. Se não for feita uma limpeza completa do canal, removendo-se todos os restos de pele, secreção e cerume, os medicamentos não conseguem penetrar na pele e curar a infecção.
Os medicamentos consistem em gotas locais com antibiótico e corticóides. Ás vezes são necessários também antibióticos via oral e antinflamatórios potentes.
E o que fazer para prevenir a otite externa. O mais importante é não manipular o conduto auditivo nem com hastes flexíveis. Na própria embalagem dessas hastes flexíveis está sempre escrito que não podem ser introduzidos no canal auditivo externo. Aliás, não dá para limpar bem o canal com as hastes tão grandes. Além do mais, não é raro acontecer acidentes com esses instrumentos “inofensivos” com perfurações do tímpano que requerem correção cirúrgica. Após o banho, enxugue com uma toalha se sentir os ouvidos úmidos. Se vocês prometerem não contar para ninguém, dou uma dica. Quando coçar ou doer um pouquinho, pingue umas gotas de vinagre comum. Tem pH ácido e funciona como o cerume. E é até aprovado pelo FDA americano (Food and Drug Administration).
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