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Dr. Cláudio Schvartsman
Pediatria
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Suplementação de ácido fólico como prevenção de defeitos congênitos
Suplementação de ácido fólico para a prevenção de defeitos congênitos do tubo neural
A pediatria moderna vem expandindo seus horizontes de atuação, não mais se limitando ao atendimento específico das questões de saúde. Em uma ponta, vem trabalhando cada vez mais nos fatores de risco e de estilo de vida na infância e adolescência que repercutem na saúde do futuro adulto e do futuro idoso. Na outra ponta, preocupa-se com o indivíduo antes do seu nascimento, interagindo com o obstetra e o clínico geral no controle de saúde da gestante e trabalhando, por vezes, com questões e temas que influenciam a mulher antes mesmo de engravidar.
Para celebrar esta forte tendência da pediatria enquanto ciência da saúde, optei por abordar em minha primeira participação um tema que afeta a saúde da criança antes mesmo de sua mãe engravidar. Trata da suplementação de ácido fólico para a mulher para a prevenção de defeitos congênitos do tubo neural.
Estes defeitos resultam de uma malformação do sistema nervoso embrionário que pode resultar em graves defeitos de nascimento como anencefalia ou spina bífida. Não são defeitos tão raros. Afetam aproximadamente 1 em 1000 gestações e a incidência destas duas condições em 2005 nos Estados Unidos variou entre 11 e 17 casos por 100000 nascidos vivos.
Há cerca de 15 anos vêm se acumulando sólidas evidências científicas de que o consumo diário de 0,4 a 0,8 mg de ácido fólico pela mulher em idade fértil leva a uma redução significativa na incidência destes defeitos, com excelente tolerabilidade. O mecanismo desta ação protetora ainda não é conhecido, mas certamente deve estar relacionado com a participação do ácido fólico na regulação da síntese e função do DNA, afetando, provavelmente, importantes eventos na embriogênese que podem provocar o defeito do tubo neural. Para que este efeito protetor se estabeleça, é de fundamental importância que a mulher esteja recebendo a suplementação já nas primeiras semanas de gestação, antes mesmo do diagnóstico de que esta exista. Isto somente é possível com a estratégia da mulher em idade fértil tomar o ácido fólico rotineiramente, independentemente de estar grávida. É necessário pelo menos 1 mês de antecedência do início da gestação.
Estas evidências são tão sólidas que levaram a declarações formais de várias sociedades médicas norte-americanas, incluindo a American Academy of Pediatrics, American College of Obstetrics and Gynecology, American Academy of Family Physicians e, mais recentemente, o US Preventive Services Task Force, cujo declaração de maio de 2009 pode ser encontrada no endereço http://www.ahrq.gov/clinic/uspstf/uspsnrfol.htm.
Em resumo, há um claro efeito protetor na suplementação de ácido fólico para a mulher em idade fértil. É importante conversar com o clínico ou obstetra sobre estes benefícios.
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