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Pesquisa inédita sobre o colesterol

População não associa gordura no sangue com problemas cardiovasculares, revela pesquisa


Estudo inédito apresentado em virtude do Dia Nacional de Combate ao Colesterol (8 de agosto) mostra ainda que apenas 10% dos entrevistados sabem apontar o nível elevado do colesterol ruim

85% dos paulistas não consideram o colesterol um fator de risco para o coração, apesar de metade já ter feito exame para avaliar a taxa de gordura no sangue. A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular, feita pelo Instituto Datafolha, revela que entre os jovens e pessoas das classes D e E esse número é ainda mais alarmante: apenas 8% se lembram do colesterol quando questionados sobre as possíveis causas dos problemas cardiovasculares.


Para o presidente da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Ari Timerman, o resultado da pesquisa é muito grave, já que a parcela da população que menos sabe sobre o colesterol é justamente a que pior se alimenta. “Os jovens entre 14 e 17 anos preferem os lanches aos legumes, frutas e verduras. Já entre as pessoas de menor poder aquisitivo o grande vilão é a falta de dinheiro. Com o preço de quatro maçãs é possível comprar dois pacotes de bolacha, muito menos saudável”, explica o médico.


O baixo conhecimento dos entrevistados com nível superior também surpreendeu o especialista. Apenas dois em cada dez entrevistados apontou o colesterol como um fator de risco. “É aceitável que os adolescentes ainda desconheçam o que faz mal ao coração, mas era esperado que em idade universitária esse número fosse muito maior”, diz o coordenador da Pesquisa SOCESP, Álvaro Avezum.


A pesquisa revelou também que 88% dos entrevistados não sabem indicar de forma espontânea o valor do LDL (colesterol ruim) quando está alterado; Apenas 4% indicaram como alterado, quando o LDL é maior que 100 mg/dl; 5% indicaram 200 mg/dl; e 1% apontou 300 mg/dl. O nível desejado de colesterol LDL é menos do que 100 mg/dl.


Quando os pesquisadores estimularam as repostas mostrando os índices, 63% permaneciam sem conhecer o LDL e os níveis de referência; 8% apontaram como alterado quando maior que 300 mg/dl; 18% quando maior que 200mg; e apenas 10% citaram a resposta correta: maior que 100 mg/dl, já é considerado alterado.


89% dos entrevistados não sabem que existe HDL (colesterol bom) e o índice de desconhecimento em relação as taxas ideais também é alto entre homens e mulheres.


Metade dos entrevistados nunca mediu a taxa de gordura do sangue. Entre os que mediram, 47% avaliaram há menos de seis meses; 24% entre seis meses e um ano; 15% entre um e dois anos; 14% avaliaram o colesterol há mais de dois anos. “O ideal é avaliar o colesterol a cada ano”, lembra Timerman. 74% revelaram que o resultado obtido pelo exame foi normal, 22% disseram que a taxa estava alterada e 4% não lembram se estava normal ou alterada.


“Com base nesses dados, vamos traçar metas para aumentar a conscientização das pessoas sobre os fatores de risco e, conseqüentemente, diminuir a incidência das doenças cardiovasculares, que hoje matam 300 mil pessoas por ano no Brasil”, completa o coordenador da Pesquisa SOCESP, Álvaro Avezum.


A Pesquisa SOCESP sobre fatores de risco cardiovascular foi feita com 2.096 pessoas, entre 14 e 70 anos, em 85 cidades representando os 645 municípios do Estado de São Paulo.





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