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Rastreamento do colágeno ósseo desde a juventude orienta o tratamento preventivo da osteoporose

Especialista defende que é possível detectar a propensão à doença no paciente ainda jovem pela medição da qualidade dos ossos e não da densidade óssea

Uma ideia que se contrapõe à de muitos médicos vem sendo defendida há anos pelo ginecologista e especialista em climatério Prof. Dr. Odilon Iannetta, de Ribeirão Preto. O profissional tem trabalhado em prol do aperfeiçoamento da medicina e enfatizado a importância da avaliação da qualidade óssea da infância à senilidade e o período do climatério sendo o derradeiro momento para a prevenção da osteoporose.

Segundo o médico, a nova definição para detectar a doença precocemente consiste em avaliar a qualidade do osso por meio de uma tecnologia que utiliza inteligência artificial aplicada na Robótica Espacial. O equipamento chamado DBM SONIC BP-3G foi lançado pelos europeus e testado pela primeira vez nas Américas na clínica de Iannetta, a Climatérium, em Ribeirão Preto. “Esse aparelho avalia, pelas metáfises das falanges - ossos dos dedos -, a quantidade e a qualidade do osso e detecta a propensão à osteoporose com 50 anos de antecedência”, afirma Iannetta. “É uma maneira completa de prognosticar a probabilidade de fratura quando senil, que, com tratamento preventivo, evita em 85% esse risco em pessoas acima dos 65 anos”.

A resistência à fratura está diretamente relacionada com a qualidade da matriz proteica óssea (colágeno ósseo), ou seja, quanto maior as deteriorações da proteína, maior fragilidade óssea e maior o risco de fratura. Em 1984, trabalhos científicos mostraram que o cálcio só se fixa de maneira correta quando a matriz proteica óssea se encontrar adequada. O National Institute of Health (EUA) passou a associar a osteoporose com as alterações dessa matriz e com a consequente baixa da disponibilidade de cálcio. “Infelizmente, muitos ainda utilizam a técnica denominada densitometria óssea convencional, que só mede a densidade do osso, é o método quantitativo”, explica Iannetta. “É necessário e imprescindível em todas as pacientes avaliar a qualidade desse tecido”.

Esse novo conceito foi comprovado em uma pesquisa realizada com 2.140 pacientes mulheres com “densidade óssea“ normal, sem queixas clínicas do climatério e entre 35-50 anos. Dessas, 20,6% apresentavam a microarquitetura óssea em estado de deterioração. Por sua vez, na mesma pesquisa, em pacientes com osteopenia, entre 50-65 anos, 44,2% apresentaram matriz proteica deteriorada. “E a máxima preocupação ocorre quando as pacientes possuem osteoporose e estão acima de 65 anos, porque 100% possuem matriz proteica deteriorada”, afirma.

Especialistas afirmam que, quando se faz o diagnóstico da osteoporose, a mulher já perdeu 40% do osso e não há como reverter o quadro. “Por isso, tenho o foco na prevenção e começo a avaliar a proteína óssea a partir dos quatro anos de idade”.

Durante mais de 70 anos, o rastreamento do tecido ósseo se restringiu à técnica dos Raios-X. Com ela, só é possível avaliar a matriz óssea secundária, formada pelos vários íons, inclusive o cálcio, e não a matriz proteica. Por essa razão, a maioria das pacientes desde a fase inicial do climatério (40-50 anos), por não apresentarem sintomas típicos, aguardava o estabelecimento da osteoporose para iniciar os diferentes tratamentos. Porém, nessa condição, a perda já alcançou redução de 42% do tecido ósseo.

De acordo com Iannetta, essa postura de tratar a osteoporose já na fase estabelecida faz com que o paciente apresente matriz proteica em estágio final de deterioração, ou seja, em estado irreversível. “O custo da visão curativa atinge cifra exorbitante que inviabiliza as diversas promoções de saúde em serviços médicos e em diferentes níveis de atendimentos, como público, particular, cooperativas médicas, planos de saúde e, principalmente, para o SUS”, diz.

Como os Raios-X não possuem indicação tanto na fase de formação óssea como na fase inicial de deterioração, a Nova Biologia Óssea tornou público e revelou que o custeio para o tratamento das fraturas osteoporóticas, nos EUA, aplicando a visão antiga, em 2000, atingiu a casa dos 21 bilhões de dólares. Esse elevado montante contabilizado em três anos consecutivos de tratamento da osteoporose equivale ao custeio da construção de uma nova Usina Hidroelétrica de Itaipu.




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